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Morre Laura Cardoso aos 98 anos

A dramaturgia brasileira perdeu nesta terça-feira (18) uma de suas figuras mais importantes e respeitadas. Laura Cardoso morreu aos 98 anos, em São Paulo, deixando uma trajetória de mais de oito décadas dedicada à televisão, ao teatro e ao cinema. A informação foi divulgada pela família nas redes sociais e também confirmada por veículos de imprensa. Segundo informações divulgadas, a atriz morreu em casa, por causas naturais.

Nascida Laurinda de Jesus Cardoso em São Paulo, em 1927, Laura começou sua trajetória artística ainda muito jovem. Antes de conquistar espaço na televisão, ela passou pelo rádio, onde iniciou sua carreira na década de 1940. Em 1952, chegou à televisão pela TV Tupi, participando de uma fase em que o meio ainda dava seus primeiros passos no Brasil. A partir daquele momento, construiu uma carreira marcada pela presença em diferentes emissoras e por personagens que permaneceram na memória do público.

Ao longo de mais de 80 anos de carreira, Laura Cardoso acumulou uma lista impressionante de trabalhos. A atriz participou de mais de 60 novelas e de dezenas de produções no cinema e no teatro, tornando-se uma referência para diferentes gerações de artistas. Entre os trabalhos que ganharam destaque estão novelas como “Mulheres de Areia”, “A Viagem”, “Caminho das Índias”, “O Outro Lado do Paraíso”, “Império” e “Chocolate com Pimenta”. Seu último trabalho em uma novela foi “A Dona do Pedaço”, exibida pela TV Globo em 2019.

Um dos aspectos mais marcantes de sua carreira foi a capacidade de interpretar personagens de diferentes perfis com naturalidade e profundidade. Laura construiu uma relação especial com o público justamente por transformar figuras de suas histórias em personagens reconhecíveis e cheios de personalidade. Sua atuação ultrapassou as novelas e também alcançou o cinema, com trabalhos premiados, além da dublagem. Entre suas experiências está a voz de Betty, personagem de “Os Flintstones”, mostrando a versatilidade que marcou sua trajetória artística.

Mesmo depois de décadas de trabalho, Laura Cardoso continuou ligada à arte. Em 2025, aos 97 anos, participou do lançamento do curta-metragem “Dona Rosinha”, no qual interpretou a personagem principal. No mesmo ano, recebeu novas homenagens por sua contribuição à cultura brasileira e foi celebrada pelos 98 anos de vida. Em outubro, ganhou uma estrela na calçada da fama dos Estúdios Globo, reconhecimento que simbolizou a importância de sua história para a televisão nacional.

A notícia da morte provocou manifestações de carinho entre colegas e admiradores. Artistas como Miguel Falabella, Fabiana Karla, Zezé Motta, Lúcia Veríssimo e outros nomes da cultura brasileira destacaram a generosidade, o talento e o profissionalismo da atriz. Para muitos colegas, Laura não era apenas uma grande intérprete, mas também uma referência para quem começou a trabalhar na televisão e no teatro depois dela.

Com a partida de Laura Cardoso, o Brasil se despede de uma artista que ajudou a construir a própria história da televisão. Seu nome permanece associado a personagens marcantes, grandes produções e uma dedicação rara ao ofício de interpretar. Mais do que a extensa lista de trabalhos, fica uma contribuição artística que atravessou gerações e ajudou a formar a identidade da dramaturgia brasileira. Aos 98 anos, Laura encerra sua trajetória deixando uma obra que continuará sendo lembrada por quem acompanhou sua carreira e pelas novas gerações que ainda terão contato com seus trabalhos.

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