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Na calada da noite, Flávio Bolsonaro foi filiado ao partido de Renan Santos

Flávio Bolsonaro aparece filiado ao partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral, o que atrasa o registro de sua candidatura à Presidência da República pelo PL. A alteração foi identificada na manhã desta quinta-feira, 13 de agosto, quando a equipe jurídica do senador tentava formalizar o pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

 

De acordo com a certidão de filiação partidária emitida pelo TSE, o senador Flávio Nantes Bolsonaro consta como desfiliado do Partido Liberal e filiado ao Missão na data de 12 de agosto de 2026. O documento registra a mudança no mesmo dia em que a legenda de Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido, já havia oficializado sua própria candidatura. A equipe de Flávio afirma que a alteração ocorreu após as 23 horas da quarta-feira, horário em que ainda havia certidão confirmando a filiação regular ao PL.

A mudança impede, neste momento, a conclusão do registro da candidatura do senador pelo Partido Liberal. O prazo final para os partidos apresentarem os pedidos de registro de candidaturas à Justiça Eleitoral termina às 19 horas do sábado, 15 de agosto. A campanha de Flávio protocolou pedido de correção junto ao TSE e avalia o acionamento da Polícia Federal para apurar as circunstâncias da alteração cadastral.

O Tribunal Superior Eleitoral informou que não houve invasão ou ataque hacker ao sistema de filiação partidária. Segundo a Corte, o cadastro foi realizado por meio do uso de credenciais pertencentes a um representante do partido Missão, habilitado a efetivar filiações. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para a adoção das providências cabíveis. A apuração deverá identificar quem utilizou as credenciais e esclarecer as condições do registro.

O partido Missão, por sua vez, divulgou nota em que se declara vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta. A legenda afirma que identificou a irregularidade, tentou cancelar a filiação no mesmo dia e teve o pedido rejeitado pelo TSE. O Missão declara ainda que o gabinete de Flávio Bolsonaro havia sido informado sobre a situação desde o dia 2 de agosto, por meio de e-mails que teriam sido abertos, mas não respondidos. A nota destaca que o partido não tem interesse em acolher o senador em seus quadros e que adotará medidas junto à Polícia Federal e ao TSE, com a apresentação de logs, endereços de IP e demais registros relacionados ao episódio.

A filiação partidária é requisito essencial para o registro de candidatura. A legislação eleitoral exige que o candidato esteja regularmente filiado ao partido pelo qual pretende concorrer. Enquanto a situação cadastral de Flávio permanecer apontando vínculo com o Missão, o PL não consegue formalizar o pedido no sistema da Justiça Eleitoral. A certidão emitida pelo TSE ressalta que os dados de filiação são inseridos sob responsabilidade dos partidos e possuem presunção apenas relativa de veracidade.

Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro classificam a alteração como fraudulenta e sem autorização do senador. Eles argumentam que a mudança ocorreu de forma inesperada, após a verificação noturna de que a filiação ao PL estava em ordem. A defesa do candidato solicita o restabelecimento imediato do vínculo original com o Partido Liberal para viabilizar o registro ainda dentro do prazo legal.

O episódio ocorre em meio ao processo de formalização das candidaturas presidenciais de 2026. Até o momento, outros nomes já conseguiram inserir seus pedidos no sistema do TSE, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Romeu Zema, Renan Santos, Samara Martins e Hertz Dias. A regularização da situação de Flávio Bolsonaro dependerá das medidas administrativas e judiciais em andamento.

A Justiça Eleitoral continua analisando o pedido de correção protocolado pela campanha e pelo PL. O desfecho do caso poderá definir se o senador conseguirá registrar sua candidatura dentro do prazo estabelecido ou se enfrentará obstáculos adicionais na formalização de sua disputa pelo Palácio do Planalto.

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