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Lula afirma que Trump o trata com respeito e critica Marco Rubio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sempre o tratou com respeito em seus encontros, mas apontou críticas diretas ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. As declarações foram feitas durante um evento no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, no interior de São Paulo, em meio a tensões comerciais entre os dois países.

Segundo Lula, as reuniões com Trump foram marcadas por cordialidade. “Eu e o Trump já tivemos algumas reuniões. Ele sempre me tratou com muito respeito. Eu trato ele com muito respeito”, afirmou o presidente brasileiro. Ele lembrou um encontro na Malásia, no qual reforçou a ambos a responsabilidade de liderarem as duas maiores democracias do continente e de manterem uma relação diplomática que já completa mais de dois séculos.

Em contraste, Lula direcionou suas críticas a Marco Rubio, classificando-o como alguém que “não gosta do Brasil” e “não gosta da América Latina”. O presidente o descreveu ainda como “bolsonarista” e “um anti-latino-americano ou um latino-americano frustrado”. De acordo com Lula, Rubio, descendente de cubanos e nascido em Miami, agiria de forma diferente do que é conversado diretamente com Trump. “Odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil. E ele faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com o Trump”, afirmou.

As declarações ocorrem em um momento de fricção nas relações bilaterais, especialmente após o anúncio de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Lula destacou que, após encontros com Trump, inclusive na Casa Branca, o governo brasileiro entregou documentos com dados sobre comércio, balança comercial e outros temas, e manteve contato semanal com autoridades americanas. No entanto, afirmou ter ficado sabendo de novas medidas tarifárias pela imprensa, sem comunicação oficial prévia.

O presidente brasileiro enfatizou a importância de preservar canais de diálogo e de tratar as relações entre os dois países com seriedade. Ele ressaltou que o Brasil busca parcerias em condições de igualdade e não pretende se alinhar exclusivamente a nenhuma potência, defendendo a soberania nacional e a continuidade das negociações comerciais.

Lula também aproveitou o evento no Inpe para falar sobre a redução do desmatamento na Amazônia, tema que tem sido citado em justificativas de medidas comerciais por parte dos Estados Unidos. O presidente indicou a intenção de enviar dados oficiais sobre a queda nos índices de desmatamento a Trump, como forma de contrapor argumentos utilizados nas discussões tarifárias.

As relações entre Brasil e Estados Unidos atravessam um período de ajustes desde o início do atual mandato de Trump. Encontros presenciais e contatos telefônicos entre os dois líderes têm sido relatados como cordiais, com menções a possíveis avanços em temas como comércio, minerais críticos e combate ao crime organizado. Por outro lado, o papel de interlocutores do Departamento de Estado americano tem gerado interpretações distintas nos dois lados.

Analistas observam que a estratégia de Lula tem sido separar a figura de Trump da de membros de sua equipe, mantendo aberta a possibilidade de entendimento direto com o presidente americano enquanto critica posições consideradas hostis ao Brasil. Essa abordagem busca preservar espaços de negociação em um cenário de incertezas comerciais que afetam exportações brasileiras de diversos setores.

Do lado americano, o governo Trump tem defendido as tarifas como resposta a práticas comerciais e questões ambientais, enquanto autoridades brasileiras argumentam que os dados oficiais desmentem parte das alegações e que o diálogo deveria prevalecer. A troca de declarações públicas tem alimentado o debate político interno no Brasil, com repercussões também no ambiente eleitoral.

Apesar das divergências, ambos os lados reconhecem a importância estratégica da relação bilateral. O Brasil e os Estados Unidos mantêm laços históricos em comércio, investimentos, cooperação em segurança e ciência. Em 2026, os fluxos comerciais continuam relevantes para as economias dos dois países, o que reforça a necessidade de canais diplomáticos estáveis.

Lula reiterou que o Brasil não busca confrontos e prefere o entendimento. “O Brasil quer trabalhar com todos em posição de igualdade”, disse, destacando que o país não tem preferências exclusivas por outras nações e busca parcerias equilibradas. A declaração reforça a postura de manter a porta aberta para negociações, mesmo em meio a críticas públicas a integrantes do governo americano.

O episódio ilustra a complexidade das relações internacionais contemporâneas, em que lideranças tentam conciliar interesses nacionais com a necessidade de cooperação. Enquanto as tarifas e as declarações públicas geram tensão, os canais oficiais de diálogo permanecem ativos, segundo relatos de ambos os governos. O desdobramento das conversas nas próximas semanas poderá indicar se a postura de separação entre o presidente americano e sua equipe diplomática será suficiente para avançar em acordos concretos.

Com a declaração de sexta-feira, Lula deixa claro que valoriza o tratamento recebido de Trump e, ao mesmo tempo, aponta o que considera obstáculos nas relações, centrados na figura de Marco Rubio. O próximo capítulo dessa dinâmica dependerá de como Washington e Brasília conduzirão as negociações em curso.

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