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Defesa de Jaques Wagner pede adiamento de depoimento à PF em investigação sobre Banco Master

 

O depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), previsto para esta sexta-feira (7) na Polícia Federal, foi adiado após pedido apresentado por sua defesa. A oitiva faz parte da investigação relacionada ao Banco Master e à Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades financeiras e vínculos entre empresários ligados à instituição e agentes públicos. Segundo os advogados, a mudança ocorreu porque a equipe jurídica ainda não conseguiu acessar o conteúdo da investigação devido a problemas técnicos, que, conforme a defesa, foram documentados. A data havia sido acertada com a autoridade policial há quase um mês, período em que também teria sido solicitado acesso aos autos. Até agora, não foi divulgada uma nova data para o depoimento, mantendo a expectativa sobre quando o senador prestará esclarecimentos aos investigadores.

Em nota, a defesa afirmou que o adiamento não significa que Jaques Wagner esteja se recusando a falar. Os advogados garantiram que o parlamentar pretende prestar depoimento, mas somente depois de conhecer os elementos reunidos pela Polícia Federal e compreender exatamente quais fatos são objeto da apuração. A justificativa é que o acesso prévio ao material permitirá uma manifestação mais completa e adequada aos questionamentos. Os representantes do senador também disseram que não farão considerações sobre o mérito das suspeitas antes de analisar o conteúdo disponível no inquérito. A versão apresentada pela defesa reforça que a solicitação de mudança da data teria natureza exclusivamente técnica e jurídica, e não representaria desistência ou recusa em colaborar com a investigação.

O caso está inserido na nona fase da Operação Compliance Zero, autorizada em junho pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo informações divulgadas pelo STF, essa etapa da investigação passou a analisar indícios de uma possível relação entre Jaques Wagner, Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e gestores ligados ao Banco Master. A apuração considera suspeitas de possíveis vantagens indevidas e atuação em favor de interesses da instituição financeira. Em 18 de junho, foram autorizadas buscas e outras medidas cautelares relacionadas ao caso. A existência da investigação, contudo, não representa uma conclusão sobre responsabilidade. Wagner nega irregularidades e já declarou publicamente estar tranquilo em relação às apurações, enquanto sua defesa aguarda acesso ao conteúdo do processo para se manifestar de forma detalhada.

Entre os elementos analisados pelos investigadores está a frequência de contatos entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima. Relatórios da Polícia Federal citados por veículos de imprensa apontam pelo menos 74 ligações telefônicas entre os dois. Augusto Lima é ex-sócio de Daniel Vorcaro e também aparece nas investigações relacionadas ao Banco Master. A PF busca compreender a natureza dessa relação e verificar se os contatos possuem conexão com os fatos apurados na operação. O registro das chamadas, por si só, não comprova irregularidade, mas integra o conjunto de informações reunido pelos investigadores. Outros episódios examinados incluem negociações patrimoniais e possíveis benefícios destinados a pessoas próximas ao senador. Wagner contesta as suspeitas e nega ter recebido vantagens indevidas relacionadas à instituição financeira ou aos empresários investigados.

O adiamento do depoimento de Wagner é o segundo registrado nesta semana dentro desse núcleo da investigação. Na segunda-feira (3), a Polícia Federal também adiou a oitiva de Augusto Lima, que estava prevista para ocorrer naquele dia. Com isso, dois depoimentos considerados relevantes para o esclarecimento das relações analisadas pela PF ficaram para novas datas. A defesa do senador sustenta que ele falará assim que tiver condições de examinar o material do inquérito. Até a publicação das informações disponíveis nesta sexta-feira, não havia anúncio público sobre quando a oitiva seria remarcada. A sequência de adiamentos mantém o caso em evidência e aumenta a atenção sobre os próximos passos da operação, especialmente diante dos elementos reunidos durante os últimos meses de investigação.

A investigação sobre o Banco Master segue com forte repercussão política por envolver empresários, operações financeiras e autoridades de projeção nacional. No caso de Jaques Wagner, o foco imediato é esclarecer os contatos e relações apontados pela Polícia Federal, sem antecipar conclusões que dependem do avanço das apurações e das decisões das autoridades responsáveis. O adiamento desta sexta-feira acrescenta uma nova etapa ao caso, mas não encerra a expectativa sobre o depoimento do senador. A própria defesa reafirma que ele pretende comparecer e apresentar sua versão após ter acesso aos autos. Enquanto isso, novas diligências e depoimentos poderão ajudar a definir o alcance dos fatos investigados. Até que isso aconteça, é necessário distinguir suspeitas apresentadas pela investigação de conclusões definitivas, que ainda não foram estabelecidas.

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