Dormir nessa posição pode representar mais riscos para idosos

A forma como uma pessoa dorme pode influenciar muito mais do que a qualidade do descanso. Entre os idosos, determinados hábitos adotados durante o sono têm despertado a atenção de médicos e pesquisadores por estarem associados a um maior risco de complicações cardiovasculares, incluindo o Acidente Vascular Cerebral (AVC). Embora nenhum fator isolado seja capaz de provocar a doença, especialistas alertam que algumas posições podem dificultar a circulação sanguínea e agravar problemas já existentes, principalmente em quem sofre de hipertensão, apneia do sono ou doenças cardíacas.
O AVC continua sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. A condição ocorre quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro é interrompido ou quando há o rompimento de um vaso sanguíneo. Em pessoas idosas, o risco é naturalmente maior devido ao envelhecimento dos vasos, ao histórico de doenças crônicas e à maior incidência de fatores como diabetes, colesterol elevado e pressão alta. Por isso, qualquer hábito que possa contribuir para reduzir esse risco merece atenção especial.
Entre as orientações mais discutidas está a recomendação para evitar dormir completamente de bruços. Essa posição pode provocar uma torção excessiva do pescoço durante várias horas, comprometendo a circulação em algumas artérias cervicais e aumentando a tensão sobre a coluna. Além disso, ela pode dificultar a respiração, favorecendo episódios de apneia do sono, condição que está diretamente relacionada ao aumento da pressão arterial e do risco de eventos cardiovasculares, incluindo o AVC.
Especialistas destacam que dormir de lado, especialmente sobre o lado esquerdo em muitos casos, costuma ser uma alternativa mais confortável e benéfica para a circulação e para a respiração. No entanto, essa recomendação não é universal. Pessoas com determinadas doenças cardíacas, problemas pulmonares ou limitações ortopédicas devem seguir orientação médica individualizada, pois a posição ideal pode variar conforme o estado de saúde de cada paciente.
Outro ponto importante é que a posição ao dormir representa apenas um dos diversos fatores ligados à prevenção do AVC. Manter a pressão arterial sob controle, praticar atividades físicas regularmente, adotar uma alimentação equilibrada, controlar o diabetes, evitar o cigarro e reduzir o consumo excessivo de álcool são medidas consideradas muito mais eficazes para diminuir o risco da doença. Da mesma forma, tratar distúrbios do sono, como a apneia, pode contribuir significativamente para preservar a saúde cardiovascular.
Os médicos também reforçam a importância de reconhecer rapidamente os sinais de um AVC. Fraqueza súbita em um dos lados do corpo, dificuldade para falar, perda de equilíbrio, alteração na visão e dormência repentina são sintomas que exigem atendimento de emergência imediato. Quanto mais rápido o paciente recebe tratamento, maiores são as chances de recuperação e menores são os riscos de sequelas permanentes.
Embora dormir de bruços possa representar um fator desfavorável para alguns idosos, não existe uma posição capaz de causar um AVC sozinha. O risco resulta da combinação de diversos fatores clínicos e hábitos de vida. Ainda assim, adaptar a forma de dormir, buscar acompanhamento médico regular e manter um estilo de vida saudável são atitudes simples que podem fazer grande diferença na proteção da saúde cerebral e cardiovascular ao longo dos anos.



