Em meio as declarações de Flávio ás urnas eletrônicas aliados se afastam do pré-candidato

As declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o sistema eleitoral brasileiro provocaram reações negativas entre aliados e dirigentes partidários, abrindo um novo foco de desgaste para sua pré-campanha à Presidência da República. Durante um encontro com diplomatas realizado nesta semana, o parlamentar mencionou as urnas eletrônicas ao citar informações relacionadas à empresa venezuelana Smartmatic, sugerindo uma ligação com equipamentos utilizados em eleições no Brasil. A fala gerou preocupação entre integrantes da campanha, que avaliam que o episódio pode dificultar a estratégia de ampliar o diálogo com eleitores moderados e consolidar alianças políticas antes do início oficial da disputa.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que a principal meta da pré-campanha era apresentar Flávio como um candidato capaz de dialogar além do eleitorado tradicional do bolsonarismo. A intenção era construir uma imagem mais moderada para conquistar o apoio de setores independentes e reduzir resistências junto ao centro político. Entretanto, ao voltar a discutir o tema das urnas eletrônicas, parte dos aliados acredita que o senador recolocou no centro do debate uma pauta considerada sensível e que poderia afastar possíveis parceiros políticos e parte do eleitorado indeciso.
Durante o encontro, Flávio declarou que equipamentos utilizados em outros países teriam origem semelhante aos produzidos pela empresa Smartmatic, citando informações atribuídas a documentos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA). No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já esclareceu em diferentes oportunidades que a Smartmatic não fornece urnas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras. O senador também afirmou que não pretendia questionar a integridade do sistema eleitoral nacional e defendeu apenas o envio de observadores internacionais para acompanhar o processo eleitoral, argumentando que a medida contribuiria para ampliar a transparência das eleições.
O episódio também repercutiu nas negociações políticas conduzidas pela campanha. O Partido Liberal busca ampliar sua base de apoio por meio de conversas com legendas do Centrão, como PP, União Brasil, Republicanos e Podemos. Contudo, dirigentes dessas siglas avaliam que a tendência é permanecerem neutros na disputa presidencial ou conceder liberdade de posicionamento aos diretórios estaduais. Segundo interlocutores, a dificuldade de Flávio em se afastar das pautas que marcaram o governo de Jair Bolsonaro torna ainda mais complexa a formação de uma ampla coligação.
Internamente, integrantes da campanha relatam preocupação com a condução das decisões estratégicas. Há avaliações de que episódios recentes evidenciam um processo centralizado, com pouca consulta aos principais articuladores políticos. Além disso, pesquisas qualitativas já indicavam obstáculos para ampliar a aceitação do senador entre eleitores de perfil moderado, e a nova controvérsia pode reforçar essa dificuldade. Até o momento, a chapa presidencial ainda não foi concluída, e existe a possibilidade de que a candidatura seja formada exclusivamente por integrantes do PL.
Na tentativa de conter o desgaste, a coordenação jurídica da pré-campanha divulgou uma nota oficial afirmando que Flávio Bolsonaro não colocou em dúvida a confiabilidade das eleições brasileiras. O documento reforça que o senador manifestou confiança no sistema eleitoral e defendeu apenas a presença de observadores internacionais durante o pleito. Os advogados da campanha também sustentam que o caso é diferente daquele que levou à inelegibilidade de Jair Bolsonaro em 2023, destacando que a manifestação ocorreu em um evento privado, sem utilização de estrutura pública. Apesar disso, o episódio amplia os desafios políticos enfrentados pela pré-candidatura na busca por alianças e pela conquista de novos eleitores.



