Lula irá usar saída do Brasil do Mapa da Fome como foco em sua campanha

A saída do Brasil do Mapa da Fome deve se tornar um dos principais argumentos da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição em 2026. Integrantes da estratégia eleitoral do petista pretendem destacar que o país voltou a integrar a lista internacional durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e que deixou novamente a classificação após a implementação de políticas sociais na atual gestão. A avaliação é de que os números divulgados recentemente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) fortalecem o discurso do governo e podem influenciar o debate eleitoral nos próximos meses.
Os dados apresentados pela FAO mostram que o Brasil registrou uma expressiva redução na insegurança alimentar severa entre os anos de 2023 e 2025. Segundo o levantamento, o índice caiu para 0,6% da população, o menor percentual já registrado na série histórica do país. Para que uma nação permaneça fora do Mapa da Fome, é necessário que menos de 2,5% da população esteja em situação de subnutrição, critério utilizado pelo organismo internacional para medir a capacidade de acesso da população aos alimentos necessários para uma vida saudável.
O resultado representa uma mudança significativa em relação ao período entre 2020 e 2022, quando o Brasil registrou índice de 8,5% de insegurança alimentar severa. Na época, aproximadamente 17,9 milhões de brasileiros estavam nessa condição, levando o país a retornar ao Mapa da Fome após permanecer sete anos fora da lista. O retorno foi atribuído por especialistas aos impactos econômicos e sociais provocados pela pandemia da Covid-19, que aumentou o desemprego, reduziu a renda de milhões de famílias e agravou as desigualdades em diversas regiões do país.
A equipe responsável pela campanha de Lula pretende utilizar esses indicadores para reforçar a narrativa de que programas sociais ampliados pelo governo contribuíram para reduzir a fome e melhorar as condições de vida da população mais vulnerável. A estratégia também deve destacar que o Brasil havia deixado o Mapa da Fome pela primeira vez em 2014, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, voltando à classificação anos depois e conseguindo sair novamente no terceiro mandato de Lula.
Além da divulgação dos números, integrantes do governo avaliam que o tema da segurança alimentar poderá ocupar espaço de destaque durante a campanha presidencial. O objetivo é relacionar a recuperação dos indicadores à ampliação de políticas públicas voltadas à transferência de renda, incentivo à agricultura familiar e fortalecimento de programas de combate à pobreza. A expectativa é que esses resultados sejam apresentados como evidência de avanços obtidos ao longo da atual gestão.
As eleições de 2026 devem intensificar o confronto entre governo e oposição em torno dos indicadores econômicos e sociais. Enquanto aliados de Lula devem enfatizar a melhora nos índices relacionados à fome e à pobreza, adversários tendem a questionar outros aspectos da economia, como inflação, geração de empregos, carga tributária e poder de compra da população. Dessa forma, o debate sobre os dados divulgados pela FAO promete ocupar espaço relevante na disputa eleitoral, tornando-se um dos principais temas da campanha presidencial e ampliando a discussão sobre os rumos das políticas públicas voltadas ao combate à insegurança alimentar no Brasil.



