Esse é o salário do cargo que Eduardo Bolsonaro pode perder na PF

A Polícia Federal decidiu aplicar a pena de demissão ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) no processo administrativo disciplinar aberto para apurar suposto abandono de cargo. A medida ainda depende da assinatura do ministro da Justiça e Segurança Pública para produzir efeitos.
Eduardo Bolsonaro ocupava o cargo de escrivão da Polícia Federal antes de ingressar na carreira política. Conforme a estrutura remuneratória da corporação, o salário inicial para a função é de aproximadamente R$ 14,1 mil mensais, podendo ultrapassar R$ 20 mil ao longo da carreira, de acordo com a progressão funcional prevista para os servidores.
As atribuições do escrivão da Polícia Federal incluem a formalização de procedimentos de investigação, elaboração de documentos oficiais, acompanhamento de diligências, organização de inquéritos policiais e apoio às atividades desenvolvidas pelos delegados e agentes durante operações.
Apesar de pertencer aos quadros da PF, Eduardo Bolsonaro não recebia remuneração do cargo enquanto exercia o mandato de deputado federal. Desde 2015, ele permaneceu afastado da função em razão da legislação que impede o acúmulo de cargos públicos remunerados com mandato eletivo.
A situação mudou após a perda do mandato parlamentar, oficializada pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em dezembro de 2025. Com o encerramento do mandato, a Polícia Federal determinou seu retorno às atividades como escrivão no início deste ano.
Segundo informações do processo administrativo, Eduardo não reassumiu suas funções após ser convocado pela corporação. Em fevereiro, passou a acumular faltas consideradas injustificadas, o que levou à abertura de um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar possível abandono de cargo.
Na época, o ex-deputado já se encontrava nos Estados Unidos, onde permaneceu após deixar o Brasil. Em declarações públicas, afirmou que não pretendia retornar ao cargo na Polícia Federal e criticou a direção da instituição, dizendo que não entregaria o posto de forma voluntária.
Após analisar o caso, a comissão responsável pelo processo concluiu que houve abandono do cargo público, entendimento que resultou na aplicação da penalidade de demissão. Agora, a decisão aguarda apenas a manifestação do ministro da Justiça e Segurança Pública, responsável por homologar a medida.
Paralelamente ao processo administrativo, Eduardo Bolsonaro enfrenta desdobramentos na esfera judicial. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. A decisão teve como fundamento a conclusão de que ele teria atuado para incentivar a adoção de sanções internacionais contra autoridades brasileiras, com o objetivo de influenciar investigações e processos judiciais envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A defesa de Eduardo Bolsonaro ainda poderá utilizar os mecanismos previstos na legislação para contestar a decisão administrativa, caso a demissão seja oficialmente confirmada. Entre as possibilidades estão recursos administrativos e eventual questionamento na Justiça.
Caso a exoneração seja efetivada, Eduardo deixará definitivamente os quadros da Polícia Federal, encerrando um vínculo iniciado antes de sua carreira política. A decisão também impede seu retorno ao cargo de escrivão, salvo eventual reversão por decisão administrativa ou judicial.
O caso ocorre em meio a outros acontecimentos envolvendo o ex-deputado, incluindo debates sobre sua permanência nos Estados Unidos e os efeitos políticos e jurídicos das decisões tomadas nos últimos meses. A conclusão do processo disciplinar representa mais um capítulo dessa sequência de desdobramentos, enquanto a palavra final sobre a demissão permanece nas mãos do Ministério da Justiça.



