Flávio Bolsonaro volta a citar Lula durante agenda nos Estados Unidos

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que sua viagem aos Estados Unidos teve como objetivo defender os interesses brasileiros diante da proposta do governo norte-americano de impor novas tarifas sobre produtos do Brasil. Segundo o parlamentar, sua atuação buscou suprir uma ausência do governo federal nas negociações e, por isso, declarou que estava “cumprindo o papel de Lula” durante a agenda em Washington.
De acordo com Flávio, ele decidiu adiar em um dia seu retorno ao Brasil para participar de reuniões relacionadas ao possível tarifaço anunciado pelo governo do presidente Donald Trump. O senador afirmou ter conversado com representantes e interlocutores ligados ao governo norte-americano para tentar convencer as autoridades dos Estados Unidos a não aplicar a sobretaxa aos produtos brasileiros.
Em entrevistas concedidas após os encontros, o parlamentar disse que sua iniciativa ocorreu porque, em sua avaliação, o governo brasileiro não estaria conduzindo o diálogo necessário para evitar prejuízos às exportações nacionais. Segundo Flávio, independentemente das divergências políticas internas, a prioridade deveria ser preservar empregos, empresas e setores econômicos que poderiam ser afetados caso as tarifas entrassem em vigor.
O senador também declarou que seu objetivo não era defender interesses partidários, mas buscar uma solução que evitasse impactos econômicos para o Brasil. Ao justificar a frase de que estaria “cumprindo o papel de Lula”, Flávio argumentou que a interlocução com governos estrangeiros normalmente cabe ao presidente da República e ao corpo diplomático brasileiro, mas que decidiu agir por considerar necessário abrir canais de diálogo com autoridades norte-americanas.
A viagem acontece em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano estuda aplicar uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, medida que provocou reações do governo federal e passou a ocupar o centro do debate político.
Enquanto Flávio Bolsonaro afirma ter buscado impedir a adoção das tarifas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do governo sustentam que a condução das relações diplomáticas cabe ao Executivo e criticaram a atuação do senador junto às autoridades norte-americanas. O episódio ampliou o embate político entre governo e oposição em torno da política externa e das relações comerciais entre os dois países.
Além das reuniões sobre o tarifaço, Flávio também criticou outros pré-candidatos à Presidência por, segundo ele, não terem participado de discussões nos Estados Unidos sobre o tema. O senador afirmou que buscou representar os interesses do setor produtivo brasileiro e defender uma solução negociada para evitar prejuízos às exportações nacionais.



