Na Bahia, Lula chama Jaques Wagner de “companheiro de longa data”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a demonstrar publicamente sua confiança no senador Jaques Wagner (PT-BA) durante compromissos oficiais realizados nesta quarta-feira (1º), na Bahia. A agenda marcou o primeiro encontro entre os dois desde que Wagner deixou a liderança do governo no Senado, decisão tomada em meio à repercussão de uma investigação conduzida pela Polícia Federal.
Durante a cerimônia de inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte, em Alagoinhas, Lula fez questão de destacar a longa amizade e parceria política construída ao longo de décadas com o senador baiano. Em seu discurso, o presidente afirmou que considera Wagner um dos seus companheiros mais antigos e ressaltou a importância das relações construídas ao longo da vida pública.
Além de Jaques Wagner, Lula também mencionou outros nomes influentes da política baiana, como o governador Jerônimo Rodrigues, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Otto Alencar. Segundo o presidente, essas lideranças fazem parte de uma trajetória marcada pela confiança mútua e pelo trabalho conjunto em favor da população.
Ao falar sobre amizade e lealdade, Lula afirmou que existem laços que vão além dos vínculos familiares. Para ele, amigos verdadeiros acabam se tornando irmãos, destacando que essas pessoas estiveram ao seu lado em diferentes momentos da carreira política e contribuíram para sua caminhada.
O presidente também relembrou um episódio ocorrido há vários anos, quando Jaques Wagner decidiu disputar o governo da Bahia. Lula contou que, inicialmente, acreditava que a candidatura seria muito difícil de vencer. Mesmo assim, Wagner manteve a confiança e acabou conquistando a vitória já no primeiro turno, resultado que marcou a política baiana e fortaleceu sua liderança dentro do partido.
A presença conjunta dos dois acontece poucos dias após a saída de Wagner da liderança do governo no Senado. A mudança foi oficializada depois de reuniões entre o parlamentar e o presidente, realizadas no Palácio da Alvorada. Para ocupar a função, foi escolhida a senadora Teresa Leitão (PT-PE).
A alteração ocorreu em um momento de forte repercussão política devido à investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A operação da Polícia Federal apura suspeitas de possíveis vantagens econômicas relacionadas ao Banco Master e cita o nome do senador entre os investigados.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a investigação analisa movimentações financeiras e negócios que estariam ligados ao crescimento da instituição financeira. Entre os pontos avaliados estão a aquisição de um imóvel em Salvador e transferências de recursos destinadas a pessoas ligadas ao parlamentar.
A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. O senador afirma que nunca atuou para favorecer o Banco Master e sustenta que a investigação não comprova participação em atos ilegais. Seus advogados recorreram ao Supremo Tribunal Federal buscando anular a autorização que permitiu a operação da Polícia Federal.
Nos bastidores do governo, a avaliação foi de que a troca na liderança do Senado ajudaria a reduzir o desgaste político enquanto o caso segue sendo analisado pela Justiça. Apesar da mudança no cargo, as declarações feitas por Lula durante a visita à Bahia indicam que a relação de confiança entre o presidente e Jaques Wagner permanece preservada, reforçando uma parceria política construída ao longo de mais de quatro décadas.



