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Michelle deixa comando do PL Mulher, mas futuro político segue indefinido

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou o comando nacional do PL Mulher, mas pessoas próximas a ela afirmam que a decisão não representa, necessariamente, uma desistência da disputa eleitoral deste ano. Nos bastidores do Partido Liberal, Michelle continua sendo vista como um nome competitivo para concorrer ao Senado pelo Distrito Federal, e dirigentes da legenda avaliam que qualquer definição sobre sua participação nas eleições deve ocorrer apenas durante o período das convenções partidárias. 

A convenção nacional do PL, marcada para o fim de julho, deverá oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Apesar disso, integrantes da sigla afirmam que ainda há espaço para mudanças em outras chapas e que Michelle sempre manifestou a intenção de decidir sobre uma eventual candidatura somente no momento considerado adequado. 

O anúncio de sua saída ocorre poucos dias após a crise pública envolvendo Flávio Bolsonaro. Na semana passada, Michelle divulgou um vídeo relatando que teria sido desrespeitada e humilhada pelo enteado durante uma conversa telefônica, episódio que expôs divergências internas na família Bolsonaro e repercutiu diretamente na pré-campanha presidencial do senador. 

Embora Flávio tenha declarado posteriormente que considera o episódio superado, aliados admitem que o vídeo provocou desgaste político e exigiu uma estratégia para conter os impactos da crise. Mesmo com a tentativa de encerrar o assunto, pessoas próximas à ex-primeira-dama avaliam que as diferenças entre os dois ainda não foram totalmente resolvidas. 

Ao comunicar sua saída da presidência do PL Mulher, Michelle afirmou que a decisão foi tomada após conversas com o ex-presidente Jair Bolsonaro e motivada pelo momento vivido pela família. Segundo ela, a prioridade agora será dedicar-se integralmente aos cuidados do marido e da filha. Em sua despedida, destacou o trabalho realizado à frente da ala feminina do partido e afirmou ter contribuído para fortalecer a participação de mulheres conservadoras na política brasileira. 

Nos bastidores, a ex-primeira-dama também teria manifestado insatisfação com ataques que afirma ter recebido de apoiadores ligados ao grupo político de Flávio Bolsonaro. De acordo com relatos publicados por diferentes veículos, Michelle considera que as críticas se intensificaram após a divulgação do vídeo e lamenta a ausência de manifestações públicas em sua defesa por parte do senador. 

Outro fator que mantém o ambiente político em tensão é o chamado caso “Dark Horse”, relacionado ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. O assunto voltou ao centro das discussões após novos desdobramentos judiciais envolvendo pedidos de investigação. Apesar disso, até o momento não há decisão que comprove irregularidades envolvendo Flávio Bolsonaro nesse episódio. 

Mesmo deixando um dos principais cargos do partido, Michelle segue preservando influência dentro do eleitorado conservador e evangélico. Integrantes do PL afirmam que seu futuro político ainda permanece em aberto e que ela continua sendo considerada uma liderança relevante para a direita, seja nas eleições deste ano ou em disputas futuras. 

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