Moraes manda para PGR conclusão da PCDF sobre arma de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente, em até 48 horas, sua manifestação sobre a conclusão do inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) envolvendo uma pistola registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro. O prazo também foi concedido à defesa do ex-chefe do Executivo.
A decisão representa mais um passo em um processo que tem recebido atenção nacional. Somente após o parecer da PGR, comandada pelo procurador-geral Paulo Gonet, o ministro deverá avaliar os próximos encaminhamentos do caso, incluindo a análise sobre a manutenção ou não da prisão domiciliar de Bolsonaro.
O relatório final da investigação trouxe uma conclusão importante. A PCDF decidiu não indiciar Jair Bolsonaro por posse ilegal de arma de fogo. Segundo os investigadores, a pistola possuía registro válido junto ao Exército Brasileiro e não havia qualquer restrição que impedisse o ex-presidente de mantê-la em sua residência.
Por outro lado, o inquérito apontou responsabilidade do agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Estácio Leite da Silva Filho. Ele foi indiciado por porte ilegal de arma após a pistola ser encontrada durante uma blitz realizada pela Polícia Militar do Distrito Federal, em Taguatinga.
O episódio chamou atenção porque a arma estava registrada em nome de Bolsonaro, mas acabou localizada em posse de outra pessoa. Esse detalhe levou a Polícia Civil a aprofundar as investigações para esclarecer como a pistola saiu da residência do ex-presidente.
Em depoimento prestado aos investigadores, Bolsonaro explicou que a arma permaneceu em sua casa depois de uma operação realizada pela Polícia Federal, em julho do ano passado. Segundo ele, todas as demais armas foram recolhidas na ocasião, mas solicitou que uma delas permanecesse no imóvel. O argumento apresentado foi que dividia a residência com três mulheres e considerava importante manter um equipamento para proteção do local.
De acordo com o ex-presidente, o delegado responsável consultou outra autoridade por telefone e, posteriormente, autorizou que a pistola permanecesse na residência. Essa versão passou a integrar os documentos analisados pela investigação.
Bolsonaro também afirmou que, meses depois, percebeu que a arma apresentava uma falha de funcionamento. Por esse motivo, pediu que o agente do GSI verificasse a pistola. Segundo seu relato, o militar retirou o equipamento da casa sem autorização expressa.
Ainda conforme o depoimento, o ex-presidente declarou acreditar que o agente não agiu com intenção de causar qualquer problema. Ele afirmou que somente descobriu que a pistola havia deixado sua residência quando foi informado sobre a apreensão durante a abordagem policial em Taguatinga.
Em manifestação anterior, o procurador-geral Paulo Gonet já havia informado ao STF que preferia aguardar a conclusão oficial do inquérito antes de apresentar uma posição definitiva sobre a possível existência de falta grave por parte de Bolsonaro. Agora, com o encerramento das investigações, caberá à PGR analisar os elementos reunidos pela Polícia Civil e apresentar sua avaliação ao Supremo.
Enquanto isso, o caso continua sendo acompanhado de perto por autoridades e pela opinião pública.
A expectativa é que, após receber as manifestações da PGR e da defesa, Alexandre de Moraes tome uma decisão sobre os próximos passos do processo. Até lá, o entendimento da Polícia Civil permanece sendo de que não foram encontrados elementos suficientes para responsabilizar Jair Bolsonaro por posse ilegal da pistola registrada em seu nome.



