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Flávio descarta mexer no reajuste do salário mínimo e faz aceno social

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (19) que, se chegar ao Palácio do Planalto, não pretende desvincular o reajuste do salário mínimo da inflação nem promover cortes nos pisos constitucionais da saúde e da educação. A declaração foi dada em entrevista ao SBT News e surge em meio ao debate sobre o ajuste fiscal e as alternativas para conter o crescimento das despesas públicas. Ao tentar se posicionar como um nome competitivo para a disputa nacional, o parlamentar procurou afastar o temor de que um eventual governo sob seu comando adote medidas de redução de garantias sociais, ao mesmo tempo em que apresentou um discurso de austeridade focado em corte de burocracia, privatizações e combate à corrupção.

Questionado diretamente sobre a possibilidade de mexer em áreas sensíveis, como Previdência, salário mínimo e investimentos obrigatórios em políticas públicas, Flávio respondeu que não pretende atacar esses mecanismos. Segundo ele, sua proposta é manter a rede de proteção voltada à população mais vulnerável, preservando direitos sociais já assegurados. Na mesma linha, o senador declarou apoio à isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês, uma pauta que tem forte apelo popular e vem sendo defendida por diferentes campos políticos. Ao adotar esse discurso, Flávio tenta equilibrar duas frentes: de um lado, sinaliza responsabilidade fiscal e compromisso com a revisão do tamanho do Estado; de outro, busca se blindar de críticas de que uma eventual gestão sua promoveria desmonte social.

Apesar de descartar mudanças em pontos sensíveis da área social, o senador defendeu uma agenda econômica baseada em enxugamento da máquina pública. Ele afirmou que pretende realizar um “tesouraço” não apenas no número de ministérios, mas também em estruturas burocráticas que, segundo sua avaliação, dificultam a vida de empreendedores e travam o crescimento do país. Flávio disse ainda que pretende revogar mais de mil normas regulamentadoras, sob o argumento de que o excesso de exigências administrativas encarece investimentos e desestimula a atividade econômica. O discurso está alinhado à visão liberal adotada por setores do campo conservador, que defendem menor interferência estatal na economia e maior liberdade para o setor privado operar.

Outro ponto destacado pelo senador foi a crítica à carga tributária incidente sobre investimentos em tecnologia. Flávio mencionou especificamente a cobrança de 25% de imposto sobre importação de equipamentos voltados a datacenters, classificando o ambiente de negócios brasileiro como hostil para projetos bilionários nessa área. Na avaliação dele, o país perde competitividade ao impor custos elevados e insegurança regulatória a segmentos estratégicos da economia digital. A fala reforça a tentativa de apresentar sua eventual candidatura como defensora da modernização econômica e da atração de investimentos privados, sobretudo em setores associados à inovação, infraestrutura e energia.

No campo fiscal, o parlamentar afirmou que a redução dos juros passa necessariamente por um ajuste nas contas públicas. Segundo ele, a principal fonte de economia não estaria no corte de direitos sociais, mas no combate ao desperdício e à corrupção. Flávio disse que o país precisa “tampar os ralos” por onde, segundo sua visão, o dinheiro público estaria sendo escoado no atual governo. O senador também defendeu a continuidade de privatizações e sinalizou apoio ao modelo de concessão para exploração do pré-sal na Margem Equatorial, uma área vista como estratégica por seu potencial energético. Ao fazer esse conjunto de acenos, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tenta se colocar como herdeiro de uma agenda econômica liberal, com ênfase em mercado, desestatização e revisão do peso do Estado.

As críticas ao cenário fiscal atual também fizeram parte da entrevista. Flávio Bolsonaro afirmou que o nível de endividamento do Brasil voltou a patamares que lembram o período final do governo Dilma Rousseff, marcado por deterioração das contas públicas, recessão e perda de confiança do mercado. Embora não tenha detalhado medidas concretas para reverter esse quadro, o senador indicou que sua estratégia passaria por redução de despesas administrativas, estímulo ao investimento privado e simplificação regulatória. O discurso, no entanto, tenta evitar o desgaste político que normalmente acompanha propostas mais duras de ajuste, especialmente aquelas que envolvem mudanças em aposentadorias, benefícios sociais ou vinculações orçamentárias para saúde e educação.

A entrevista de Flávio ocorre em um momento em que a corrida presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais nítidos e potenciais candidatos buscam ocupar espaço no debate econômico. Ao afirmar que não pretende mexer no salário mínimo nem nos pisos sociais, o senador tenta suavizar a imagem de um projeto associado exclusivamente ao corte de gastos e ao discurso de confronto. Ao mesmo tempo, ao insistir em privatizações, desburocratização e combate à corrupção como eixos centrais de sua proposta, ele sinaliza continuidade com bandeiras tradicionais do bolsonarismo na área econômica. O resultado é uma tentativa de conciliar responsabilidade fiscal com preservação de políticas populares, numa equação politicamente conveniente para quem busca ampliar apoio além da base ideológica mais fiel.

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