Caso da arma apreendida leva Bolsonaro a novo depoimento

A Polícia Civil do Distrito Federal solicitou autorização ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para ouvir o ex-presidente Jair Bolsonaro no âmbito da investigação relacionada a uma arma de fogo registrada em seu nome. O pedido foi formalizado após a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias envolvendo a apreensão de uma pistola calibre 9 milímetros encontrada com um militar do Exército durante uma fiscalização de trânsito realizada em Brasília. Como Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar por razões de saúde, a polícia depende de autorização judicial para realizar o depoimento.
Segundo informações encaminhadas ao STF, a intenção dos investigadores é que o ex-presidente seja ouvido na próxima semana. O caso está sob responsabilidade do 17º Distrito Policial do Distrito Federal, que busca esclarecer detalhes sobre a posse, a movimentação e o destino do armamento. A investigação ganhou relevância após a abordagem de um veículo oficial vinculado à Presidência da República, durante uma operação de rotina realizada por policiais militares na região do Pistão Norte.
De acordo com o registro da ocorrência, o veículo era conduzido pelo sargento Estácio Leite da Silva Filho, militar que presta serviços de assessoramento à equipe ligada ao ex-presidente. Durante a fiscalização, os agentes identificaram a presença da arma no interior do automóvel, além de um carregador. Ao ser questionado sobre a documentação do armamento, o militar informou que o registro estaria vinculado ao proprietário da pistola. Diante das circunstâncias, ele foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos e a arma foi apreendida para análise.
Em depoimento, o sargento afirmou que a pistola pertence a Jair Bolsonaro e que estava sendo transportada para passar por manutenção. Segundo sua versão, o armamento apresentava uma falha mecânica aparentemente simples, motivo pelo qual teria sido levado para avaliação. O militar declarou ainda que possui experiência com esse tipo de equipamento e que pretendia auxiliar na identificação do defeito antes de devolver a arma ao proprietário.
A defesa de Bolsonaro confirmou posteriormente essa versão. Em manifestação encaminhada ao STF, os advogados explicaram que o ex-presidente percebeu um problema no funcionamento da pistola e decidiu pedir ajuda técnica ao militar. Segundo os defensores, a entrega do armamento ocorreu exclusivamente para verificar a origem da falha e providenciar o reparo necessário. A defesa acrescentou que o sargento possui conhecimento específico sobre o modelo da arma e que sua participação se limitou à tentativa de solucionar o problema.
Os advogados também afirmaram que integrantes da equipe de segurança do ex-presidente retiraram uma peça interna da pistola sem o conhecimento dele, tornando o equipamento temporariamente inoperante. Conforme a explicação apresentada, a medida teria sido adotada como precaução devido ao estado de saúde de Bolsonaro e ao uso de medicamentos prescritos durante o período de tratamento médico. A defesa argumenta que foi justamente essa alteração que levou o ex-presidente a acreditar que havia uma falha mecânica no armamento.
Outro ponto destacado pelos representantes jurídicos é que a condenação de Bolsonaro não incluiu determinação para entrega da arma às autoridades. Por essa razão, sustentam que a posse do equipamento não violaria diretamente as condições impostas até o momento. Ainda assim, Alexandre de Moraes solicitou esclarecimentos adicionais sobre o caso, especialmente porque a tentativa de manutenção ocorreu poucos dias antes do término previsto do período de prisão domiciliar humanitária. Agora, caberá ao ministro decidir se autoriza o depoimento solicitado pela Polícia Civil, etapa considerada importante para o avanço das investigações e para a definição das responsabilidades relacionadas ao episódio.



