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Polícia do DF dá novo passo em caso que envolve Bolsonaro

A Polícia Civil do Distrito Federal solicitou autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ouvir o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investiga a apreensão de uma pistola registrada em seu nome. O pedido foi encaminhado após a abertura formal da investigação, que busca esclarecer as circunstâncias em que a arma foi encontrada durante uma abordagem policial realizada nesta semana na capital federal.

De acordo com informações da investigação, o depoimento de Bolsonaro foi solicitado porque ele é o proprietário legal da pistola calibre 9 milímetros apreendida durante uma blitz de rotina realizada pela Polícia Militar do Distrito Federal. O armamento estava com um sargento do Exército Brasileiro que conduzia um veículo oficial ligado ao governo federal no momento da abordagem.

Como Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por determinação judicial, os investigadores dependem da autorização de Moraes para que a oitiva seja realizada. A Polícia Civil propôs que o depoimento ocorra na próxima semana, em data previamente definida, caso o Supremo autorize o procedimento.

Os investigadores também relataram dificuldades para formalizar a intimação diretamente ao ex-presidente. Segundo o ofício encaminhado ao STF, policiais tentaram entregar a notificação pessoalmente na residência onde Bolsonaro cumpre a medida judicial, mas a equipe de segurança responsável pelo local não permitiu o acesso dos agentes para a realização do ato.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde março, após decisão que levou em consideração seu quadro de saúde. O benefício foi concedido depois de um período de internação hospitalar para tratamento de uma pneumonia bacteriana. O prazo da medida se aproxima do fim e deverá ser reavaliado pelas autoridades competentes nos próximos dias.

O episódio que motivou a investigação ocorreu durante uma fiscalização de trânsito realizada no Distrito Federal. Durante a abordagem, policiais identificaram uma pistola e um carregador dentro do veículo conduzido pelo militar. Ao ser questionado, o sargento informou que trabalhava na equipe de apoio a Bolsonaro e afirmou que transportava a arma para realizar uma manutenção técnica.

Segundo a versão apresentada pelo militar, a pistola apresentava falhas de funcionamento e seria encaminhada para avaliação. A arma acabou apreendida pelas autoridades para análise e posterior esclarecimento dos fatos. O caso chamou atenção porque o armamento pertence ao ex-presidente, que atualmente está submetido a restrições judiciais.

A defesa de Bolsonaro confirmou posteriormente que a arma realmente havia sido entregue ao militar. Os advogados afirmaram que o objetivo era apenas verificar um problema mecânico identificado no equipamento. Segundo a versão apresentada, o sargento possui conhecimento técnico sobre armamentos e teria sido acionado para auxiliar na identificação da falha.

Os representantes do ex-presidente explicaram ainda que integrantes da equipe de segurança teriam retirado uma peça interna da arma anteriormente, tornando-a inoperante. A medida, segundo os advogados, teria sido adotada sem conhecimento prévio de Bolsonaro, em razão de preocupações relacionadas ao tratamento médico e ao uso de medicamentos prescritos durante o período de recuperação.

De acordo com a defesa, a retirada dessa peça teria levado Bolsonaro a perceber que o armamento não funcionava corretamente, motivando o pedido de avaliação técnica. Os advogados sustentam que não houve qualquer tentativa de utilização da arma nem descumprimento de determinações judiciais relacionadas ao cumprimento da prisão domiciliar.

Outro argumento apresentado pela defesa é que a condenação do ex-presidente não incluiu a obrigação de entregar armas registradas em seu nome. Segundo os advogados, caso houvesse determinação nesse sentido, a entrega teria sido realizada imediatamente. Eles acrescentam que Bolsonaro não demonstrou interesse em retomar a posse do armamento enquanto permanecer submetido às condições impostas pela Justiça.

O ministro Alexandre de Moraes já havia solicitado esclarecimentos sobre o caso após a divulgação da apreensão. Agora, com o pedido formal da Polícia Civil para ouvir o ex-presidente, caberá ao magistrado decidir se autoriza ou não a realização do depoimento e em quais condições ele poderá ocorrer.

Enquanto isso, a investigação segue em andamento para esclarecer todos os detalhes relacionados ao transporte da arma, ao papel desempenhado pelo militar que estava com o equipamento e às circunstâncias que levaram o armamento a ser encontrado durante a fiscalização policial. O resultado das apurações poderá servir de base para eventuais decisões futuras envolvendo o caso.

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