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Bolsonaro diz ao STF que entregou arma a agente do GSI para manutenção

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma explicação para a apreensão de uma pistola registrada em seu nome, encontrada com um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante uma abordagem policial no Distrito Federal. O caso ganhou repercussão nesta semana e agora também está sendo analisado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

De acordo com os advogados do ex-presidente, o armamento foi entregue temporariamente ao militar apenas para a identificação de uma falha mecânica. A versão foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados a Bolsonaro no STF.

Para reforçar a argumentação, a defesa anexou aos autos o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento emitido pelo Exército Brasileiro em 2019. Segundo os advogados, o objetivo é demonstrar que a arma estava devidamente registrada e dentro das exigências legais.

O ponto central da explicação está em uma suposta alteração realizada na pistola pela própria equipe de segurança do ex-presidente. Conforme relatado, o percussor — peça essencial para o funcionamento do armamento — teria sido retirado sem que Bolsonaro fosse informado da mudança.

A justificativa apresentada é que a medida teria sido adotada por precaução. A defesa afirma que integrantes da segurança decidiram remover a peça devido ao uso de medicamentos psiquiátricos por parte do ex-presidente, o que poderia afetar sua capacidade de percepção em determinadas situações.

Segundo o documento enviado ao STF, Bolsonaro notou que havia algo incomum no funcionamento da arma, mas não sabia que o problema era consequência da retirada do componente interno. Diante da dificuldade para identificar a causa da falha, ele teria solicitado a ajuda de um profissional com experiência em armamentos.

Foi nesse contexto que a pistola teria sido entregue ao segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho. De acordo com a defesa, o militar possui conhecimento técnico sobre aquele modelo específico e recebeu a missão de verificar a origem do defeito e providenciar eventual manutenção.

Os advogados destacam que a arma estava sem condições de uso e argumentam que a transferência temporária não teve qualquer outra finalidade além da avaliação técnica. Na manifestação apresentada ao Supremo, a defesa sustenta que a ausência do percussor altera completamente o mecanismo de acionamento, deixando o gatilho com uma sensação incomum de folga.

Outro argumento levantado pelos representantes de Bolsonaro é que não existe determinação judicial exigindo a entrega das armas registradas em seu nome nem o cancelamento dos registros já concedidos pelos órgãos competentes.

Enquanto a defesa apresenta sua versão dos fatos, a Polícia Civil do Distrito Federal abriu um inquérito para esclarecer todos os detalhes do episódio. A investigação ficará sob responsabilidade da 17ª Delegacia de Polícia, localizada em Taguatinga Norte.

Em depoimento, o policial militar que participou da abordagem informou que o agente do GSI declarou trabalhar para Bolsonaro e afirmou que a pistola pertencia ao ex-presidente. Segundo o relato, o armamento havia sido entregue ao militar na própria segunda-feira para análise da falha mecânica e seria devolvido após a conclusão do serviço.

Agora, caberá aos investigadores reunir documentos, ouvir testemunhas e verificar as circunstâncias da posse da arma no momento da abordagem. O caso segue sob acompanhamento das autoridades e poderá trazer novos desdobramentos nos próximos dias, à medida que as apurações avançarem.

 

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