Cláudio Castro confirma desistência do Senado: “Decisão mais difícil”

A decisão de Cláudio Castro de desistir da disputa ao Senado movimentou os bastidores políticos do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (28). Em um vídeo publicado nas redes sociais, o ex-governador classificou a escolha como a mais difícil de sua trajetória política, encerrando semanas de especulações que já circulavam entre aliados e dirigentes do PL.
A pré-candidatura, lançada no início do ano, vinha enfrentando um desgaste crescente. Nos corredores da política fluminense, o clima já era de incerteza desde que Castro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo assim, integrantes do partido ainda tentavam manter a possibilidade de uma candidatura sub judice, embora muitos reconhecessem que o cenário jurídico era extremamente complicado.
O ambiente ficou ainda mais delicado após duas operações recentes da Polícia Federal envolvendo o ex-governador. Em menos de quinze dias, Castro passou a ocupar o centro de investigações ligadas a supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. A sequência dos acontecimentos aumentou a pressão dentro do partido e acelerou discussões internas sobre a viabilidade eleitoral do ex-governador.
Nos bastidores, dirigentes do PL já tratavam a situação como praticamente irreversível. A avaliação de parte da cúpula era de que a permanência de Castro na chapa poderia gerar desgaste não apenas para sua candidatura, mas também para outros nomes importantes da legenda no Rio. O receio era de que o assunto contaminasse a campanha do senador Flávio Bolsonaro e do deputado Douglas Ruas, apontado como nome do partido para a disputa ao governo estadual.
Aliados próximos afirmam que a decisão de abandonar a corrida eleitoral foi tomada para que Castro possa concentrar esforços em sua defesa jurídica. Embora tenha evitado entrar em detalhes no vídeo divulgado, o ex-governador deixou claro que o momento exige atenção total às acusações e aos processos em andamento.
A crise política ganhou força após a operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a investigação, a proximidade entre Castro e o empresário Daniel Vorcaro teria facilitado investimentos bilionários do Rioprevidência no Banco Master. O caso gerou forte repercussão porque envolve recursos ligados à previdência estadual, tema sensível para servidores públicos e para o equilíbrio das contas do Rio de Janeiro.
Dias antes, outra ação da Polícia Federal já havia colocado o nome do ex-governador novamente sob pressão. Dessa vez, a investigação tratava de supostas vantagens concedidas à Refit por meio da estrutura do governo estadual. O avanço das apurações reforçou, dentro do partido, a percepção de que a candidatura poderia enfrentar obstáculos ainda maiores ao longo dos próximos meses.
Com a saída de Castro do páreo, o PL agora trabalha para reorganizar sua estratégia eleitoral no estado. Entre os nomes mais comentados para substituí-lo aparecem os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi. Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro, também passou a ser citada em conversas internas.
A definição deve acontecer nas próximas semanas, em meio a um cenário político cada vez mais movimentado no Rio de Janeiro. Enquanto isso, Cláudio Castro tenta administrar a crise e preservar espaço político em um momento considerado decisivo para seu futuro.
A desistência encerra, ao menos por agora, um capítulo importante da política fluminense e abre uma nova disputa dentro do PL, que busca reorganizar a chapa antes do início oficial da campanha eleitoral.



