Malafaia reage após declaração de Janja e eleva tom contra o PT

O pastor Silas Malafaia reagiu às declarações da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e voltou a elevar o tom das críticas ao PT em meio à disputa por espaço junto ao eleitorado evangélico. Em entrevista ao Metrópoles nesta terça-feira (9), o líder religioso afirmou que suas falas sobre um encontro promovido por Janja com mulheres evangélicas foram distorcidas e negou ter chamado as participantes do evento de “insignificantes”.
A controvérsia começou após comentários feitos por Malafaia sobre a reunião organizada pela primeira-dama. Janja afirmou que o pastor teria desqualificado as mulheres presentes no encontro, interpretação rejeitada pelo religioso. Segundo ele, suas declarações faziam referência apenas à ausência de lideranças evangélicas de projeção nacional no evento, e não ao valor ou à importância das participantes.
Ao responder às críticas, Malafaia afirmou que existe diferença entre alguém sem expressão pública e alguém sem importância. De acordo com ele, uma pessoa pode não ocupar posição de destaque nacional e, ainda assim, desempenhar papel relevante dentro da família, da igreja e da comunidade. O pastor argumentou que suas palavras foram retiradas de contexto para criar uma narrativa negativa contra sua imagem.
O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo também ironizou o fato de ter sido mencionado pela primeira-dama. Para Malafaia, o simples fato de ser alvo de críticas demonstra a influência que possui no debate público nacional. Segundo ele, figuras consideradas irrelevantes não recebem atenção de adversários políticos nem ocupam espaço nas discussões promovidas por integrantes do governo.
Durante a entrevista, o pastor ampliou os ataques ao Partido dos Trabalhadores e acusou integrantes da legenda de utilizarem informações falsas para atingir lideranças conservadoras e religiosas. Em um dos trechos mais contundentes da declaração, Malafaia afirmou que adversários políticos tentaram atribuir às suas palavras um significado que jamais foi pretendido. Ele também utilizou expressões duras ao comentar o episódio, acusando seus críticos de propagarem mentiras para desgastar sua imagem perante a opinião pública.
Outro ponto abordado pelo religioso foi uma declaração de Janja na qual ela afirmou não reconhecê-lo como pastor. Malafaia minimizou a observação e afirmou que sua trajetória religiosa não depende da aprovação de figuras políticas. Segundo ele, sua atuação ministerial é consolidada há décadas e não será alterada por opiniões de integrantes do governo federal. O pastor ressaltou ainda que continua exercendo sua liderança religiosa e mantendo suas posições políticas conservadoras.
A troca de críticas ocorre em um momento de intensificação da disputa pelo eleitorado evangélico, considerado estratégico para as eleições de 2026. Nos últimos dias, o PT divulgou uma carta voltada especificamente para esse segmento da população, buscando reduzir a resistência histórica de parte dos evangélicos ao partido e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O documento destaca ações do governo relacionadas à liberdade religiosa, programas sociais e combate à intolerância contra grupos religiosos. A carta também afirma que a fé não deve ser utilizada como instrumento de manipulação política ou econômica e defende que a religião seja um elemento de união, solidariedade e promoção do bem comum.
Malafaia reagiu duramente ao texto divulgado pelo partido. Em vídeo publicado nas redes sociais, o pastor afirmou que o PT não teria legitimidade para abordar temas ligados à fé e à atuação das igrejas. Segundo ele, a legenda possui posições incompatíveis com valores defendidos por grande parte do eleitorado evangélico brasileiro.
O líder religioso também criticou políticas e discursos do governo relacionados a temas de costumes, família e religião. Na avaliação de Malafaia, o distanciamento entre o PT e setores expressivos das igrejas evangélicas continua significativo, apesar das tentativas recentes de aproximação promovidas pela legenda.
Nos bastidores políticos, a disputa pelo apoio dos evangélicos tem sido considerada uma das principais estratégias tanto do governo quanto da oposição para a campanha presidencial do próximo ano. O segmento representa uma parcela crescente da população brasileira e exerce influência relevante em eleições nacionais.
Enquanto o PT busca ampliar o diálogo com lideranças religiosas e apresentar pautas sociais alinhadas a princípios cristãos, figuras como Silas Malafaia seguem atuando como importantes vozes conservadoras e críticas frequentes ao governo Lula. O embate entre Janja e o pastor acaba refletindo uma disputa mais ampla por influência política e religiosa em um cenário que promete ganhar ainda mais intensidade à medida que as eleições de 2026 se aproximam.



