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Flávio Bolsonaro diz que chamar alguém de “irmão” não significa intimidade ao comentar relação com Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro voltou a comentar, nesta quinta-feira (14), a repercussão em torno das mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Durante entrevista à GloboNews, o parlamentar tentou minimizar o teor das conversas divulgadas pelo site Intercept Brasil, afirmando que expressões como “irmão”, “irmãozinho” e “mermão” não demonstram qualquer grau de proximidade pessoal entre os dois.

Segundo Flávio, o vocabulário utilizado nas mensagens faz parte de um jeito informal típico do Rio de Janeiro e não deve ser interpretado como prova de amizade ou relação íntima. “Irmão e irmãozinho não significam intimidade, é meu linguajar, meu modo de falar com as pessoas”, declarou o senador, que também é pré-candidato à Presidência da República em 2026.

Na tentativa de contextualizar sua fala, Flávio comparou as expressões usadas por ele a regionalismos comuns em outras partes do país. Segundo o senador, chamar alguém de “irmão” seria tão habitual quanto dizer “mano” em São Paulo, “guri” no Rio Grande do Sul ou “piá” no Paraná. “É uma forma de tratamento cotidiana. Você pede até um coco na praia chamando o vendedor assim”, afirmou.

A declaração ocorreu após a divulgação de áudios e mensagens que mostram conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro envolvendo a produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nas mensagens divulgadas, Flávio aparece cobrando repasses financeiros prometidos por Vorcaro para viabilizar o longa. Em um áudio enviado ao banqueiro, o senador demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos e com o impacto disso sobre a equipe envolvida no projeto.

“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso. Eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz Flávio em um dos trechos divulgados.

Outro conteúdo que ganhou destaque foi uma mensagem enviada após duas conversas marcadas como visualização única. Nela, o senador escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

A troca de mensagens passou a alimentar questionamentos sobre a real natureza da relação entre Flávio e Vorcaro. Isso porque, em março deste ano, o senador havia afirmado publicamente não conhecer o empresário e alegado que o fato de seu número constar na agenda do banqueiro não significava qualquer vínculo pessoal.

Com o surgimento de novos materiais, a narrativa passou a ser confrontada. Agora, Flávio reconhece ter mantido contato com Vorcaro, mas sustenta que a interlocução tinha finalidade exclusivamente profissional: buscar investimento privado para financiar a produção cinematográfica sobre a trajetória de seu pai.

O caso ganhou ainda mais repercussão após informações apontarem que Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões para financiar o projeto. Segundo reportagens recentes, os pagamentos teriam ocorrido entre fevereiro e maio de 2025, em operações ligadas a empresas intermediárias.

Apesar disso, Flávio nega qualquer irregularidade e afirma que não houve favorecimento pessoal. Segundo ele, os recursos foram destinados integralmente à produção do filme.

A polêmica também respingou em outros nomes ligados ao projeto, como o deputado federal Mário Frias, apontado como produtor executivo do longa. Em meio à repercussão, houve divergências públicas sobre a origem formal dos recursos usados no financiamento.

Enquanto isso, a Polícia Federal segue apurando possíveis conexões financeiras envolvendo Daniel Vorcaro, fundos investigados e repasses relacionados ao projeto audiovisual.

A crise ganhou contornos políticos relevantes porque acontece em um momento delicado para Flávio Bolsonaro, que tenta consolidar sua imagem como herdeiro político do bolsonarismo na disputa presidencial.

Nos bastidores, aliados avaliam que o vazamento das conversas prejudicou a narrativa de distanciamento inicialmente adotada pelo senador. Afinal, chamar alguém de “irmão” pode até ser comum no Rio — mas quando vem acompanhado de pedidos milionários, a expressão acaba carregando um peso um pouco maior.

Agora, a estratégia do senador parece ser separar linguagem informal de vínculo pessoal, insistindo que amizade e negociação são assuntos distintos. Se essa explicação convencerá a opinião pública ou os investigadores, é outra história. Política brasileira raramente decepciona em matéria de roteiro — e às vezes nem precisa de filme.

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