Sogra da mãe das crianças desaparecidas de Bacabal fala

O desaparecimento de Allan Michael, de quatro anos, e Ágatha Isabelly, de seis, em Bacabal, no interior do Maranhão, segue mobilizando a população e levantando muitas perguntas. Um mês após o sumiço das crianças, novas declarações trouxeram à tona detalhes das relações familiares e ajudaram a esclarecer pontos que, até então, vinham sendo alvo de comentários e suposições nas redes sociais e nas conversas do dia a dia.
Quem decidiu se manifestar foi Maria do Amparo, mãe de Márcio, padrasto das crianças. Desde o início do caso, boatos passaram a circular apontando possíveis conflitos entre ela e Clarice Cardoso, mãe de Allan e Ágatha. Em Bacabal, onde todo mundo conhece alguém em comum, essas histórias ganharam força rapidamente, colocando Maria do Amparo no centro de suspeitas informais feitas por parte da população.
Em conversa com o comunicador Romarinho, Maria resolveu contar sua versão. Ela confirmou que, de fato, teve problemas com o próprio filho, mas deixou claro que a origem do desentendimento nada tinha a ver diretamente com Clarice ou com as crianças. Segundo ela, o incômodo era pelo fato de Márcio ter deixado a esposa para iniciar um relacionamento com Clarice. “Esse relacionamento já tem cerca de dois anos. Eu falava pra ele largar isso e voltar pra família dele. Mãe nenhuma aceita fácil”, relatou.
Maria também mencionou um episódio de descontrole envolvendo o filho, ocorrido no sítio onde ele estava. O relato, feito por ela mesma, foi usado fora de contexto por muita gente para reforçar teorias. No entanto, Maria fez questão de frisar que aquele momento foi exclusivo entre mãe e filho e que nunca houve qualquer confronto com Clarice. “Eu nunca mexi com ela. Nunca tivemos discussão, nunca encostei nela. Não houve confusão entre nós”, afirmou.
Um ponto que Maria destacou várias vezes foi o fato de sequer conhecer Clarice e os filhos antes do desaparecimento. Segundo ela, o contato só aconteceu depois que o caso veio a público. “As pessoas falam que eu não gostava das crianças, mas isso não faz sentido. Eu nem conhecia elas. Sou avó, tenho netos, quem não gosta de criança?”, disse, visivelmente abalada.
Ela contou ainda que, ao visitar Clarice após o sumiço de Allan e Ágatha, sentiu a dor de uma mãe que também é avó. “Doeu muito. Eu dei apoio a ela. Estou de coração aberto, não tenho nada a esconder”, completou.
Enquanto isso, as investigações seguem em andamento. O delegado Ederson Martins, responsável pelo caso, explicou em entrevista à TV Mirante que as buscas continuam concentradas em uma comissão específica. Ele reforçou que, até o momento, a principal linha de investigação aponta para a possibilidade de as crianças terem se perdido em área de mata, sem indícios de participação de terceiros.
De acordo com o delegado, já foram realizadas reconstituições importantes, como o trajeto feito por um carroceiro que esteve com as crianças e a análise do último local onde elas foram vistas juntas. Todas essas etapas contaram com autorizações judiciais e acompanhamento técnico.
O caso segue cercado de expectativa, apreensão e esperança. Em meio a versões, emoções à flor da pele e investigações detalhadas, famílias e moradores de Bacabal aguardam respostas concretas, torcendo para que a história tenha um desfecho que traga, ao menos, algum alívio diante de tanta angústia.



