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Erro imperdoável de Vale Tudo chama mais a atenção do que a morte de Odete Roitman

O remake de Vale Tudo, exibido atualmente pela TV Globo e escrito por Manuela Dias, voltou a ser alvo de polêmicas. Desta vez, não foi a aguardada cena da morte de Odete Roitman (interpretada na nova versão por Debora Bloch) que movimentou as redes sociais, mas sim um erro considerado “imperdoável” pelo público. Durante o capítulo exibido na segunda-feira (6), um diálogo inesperado entre César (Cauã Reymond) e Olavo (Ricardo Teodoro) revelou uma reviravolta considerada incoerente: o fotógrafo, até então conhecido apenas por sua câmera e estilo de vida boêmio, confessou ser um sniper, ou seja, um atirador de elite com treinamento militar no Exército Brasileiro.

A revelação surgiu sem qualquer preparação narrativa e acabou ofuscando a trama principal. Em vez de repercutir apenas o mistério em torno da morte de Odete, os espectadores passaram a discutir o suposto passado militar de Olavo, que jamais havia sido mencionado ou insinuado anteriormente. O resultado foi uma enxurrada de comentários irônicos e críticas à condução do roteiro, com muitos apontando que a mudança brusca comprometeu a credibilidade da novela.

Reviravolta sem contexto

Na cena, Olavo tenta convencer César a buscar uma arma, alegando possuir experiência em tiros de precisão. O fotógrafo chega a mencionar competições que teria vencido, deixando César desconfiado. A sequência foi escrita em tom de humor misturado com tensão, mas acabou soando forçada e fora de contexto para o público. Nas redes sociais, os espectadores questionaram como um personagem até então desprovido de qualquer ligação com o universo militar pôde ser transformado em especialista em armamento pesado da noite para o dia.

Essa não é a primeira vez que a adaptação de Vale Tudo sofre críticas por mudanças repentinas de roteiro. Em capítulos anteriores, Manuela Dias já havia sido alvo de comentários por criar uma namorada para Sardinha (Lucas Leto) sem qualquer preparação, apenas para justificar um flagrante com Maria de Fátima (Bella Campos). O recurso, segundo parte do público, demonstra uma tentativa de acelerar a narrativa de forma artificial, prejudicando a coerência da trama.

O peso da morte de Odete Roitman

A morte de Odete Roitman é, sem dúvida, um dos momentos mais emblemáticos da teledramaturgia brasileira. No original, exibido em 1988, a cena foi cuidadosamente construída, gerando um dos maiores mistérios da história da televisão: “Quem matou Odete Roitman?”. A repercussão foi tão grande que atravessou décadas, consolidando o nome da personagem como um ícone cultural.

No remake, a expectativa em torno da morte da vilã também era alta. Porém, a decisão de inserir revelações desconexas em paralelo acabou desviando o foco do público. O erro de coerência narrativa, envolvendo Olavo, gerou mais repercussão do que a própria morte da antagonista, o que foi interpretado por muitos como um sinal de fragilidade do roteiro e da condução da novela.

Críticas recorrentes

As redes sociais se tornaram espaço central para os comentários negativos. Muitos telespectadores classificaram a cena como “novelesca demais” até para os padrões da teledramaturgia, enquanto outros ironizaram o novo perfil de Olavo, sugerindo que em breve o personagem poderia até ser revelado como agente secreto. A crítica principal, no entanto, recai sobre a forma como mudanças bruscas têm sido usadas para movimentar a trama, sem um trabalho consistente de construção dos personagens.

Especialistas em dramaturgia apontam que a força de Vale Tudo sempre esteve na coerência dos personagens e na profundidade dos diálogos. A novela original conquistou o público justamente por explorar dilemas morais de maneira sofisticada e verossímil. O remake, segundo seus detratores, tem perdido essa essência ao apostar em soluções fáceis e em reviravoltas pouco plausíveis.

Entre nostalgia e expectativa

O desafio de refazer um clássico como Vale Tudo sempre foi enorme. A obra de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères permanece atual ao discutir corrupção, ética e desigualdade social, temas que continuam relevantes quase quatro décadas depois. Por isso, a responsabilidade em atualizar a história sem perder sua essência é enorme. Cada deslize, como o episódio do “fotógrafo-sniper”, ganha proporções ainda maiores diante das comparações inevitáveis com a versão original.

Enquanto a Globo busca manter o interesse do público com novas tramas e surpresas, cresce também o número de telespectadores que questionam se as mudanças estão enriquecendo ou empobrecendo a narrativa. O episódio desta semana deixou claro que, para muitos, a tentativa de criar impacto acabou prejudicando o momento mais aguardado da novela.

No fim, o que deveria ser um dos pontos altos do remake – a morte de Odete Roitman – acabou ficando em segundo plano, eclipsado por um erro de roteiro que virou piada nas redes. A pergunta que fica é: será que ainda há tempo para recuperar a coerência e devolver ao público a densidade dramática que fez de Vale Tudo um marco da televisão?

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