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Hospital afasta médica que mandou trancar eleitores petistas durante as eleições

Uma médica do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), foi afastada das atividades após a divulgação de uma mensagem atribuída a ela em um grupo interno de WhatsApp. Na conversa, a profissional teria orientado colegas a não concederem alta a pacientes durante o fim de semana do primeiro turno das eleições, fazendo referência à suposta preferência política dos internados. O caso passou a ser apurado pelas autoridades municipais e também ganhou repercussão entre entidades ligadas à área médica. 

A profissional foi identificada como Marcella Segato de Sousa Melo, que ocupava a função de supervisora de Ginecologia e Obstetrícia da unidade. Segundo os registros divulgados sobre o episódio, a mensagem foi enviada em 2 de outubro, antes da votação do primeiro turno. No texto, a médica teria escrito: “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”. A mensagem rapidamente chamou a atenção depois que imagens da conversa passaram a circular. 

A conversa ocorreu em um grupo privado formado por profissionais ligados à unidade. Outros participantes reagiram à mensagem, incluindo emojis e manifestações relacionadas ao cenário político. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, um dos integrantes respondeu com uma figurinha associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto outros participantes também reagiram ao conteúdo. O material posteriormente foi encaminhado para fora do grupo e acabou sendo utilizado em uma denúncia apresentada ao Ministério Público Federal. 

Apesar da repercussão, há um ponto importante que ainda está sendo apurado: não há informação confirmada de que algum paciente tenha efetivamente permanecido internado ou deixado de receber alta em razão de sua preferência política. A existência da mensagem e o afastamento da profissional foram confirmados pelo hospital, mas a investigação deverá verificar o contexto da conversa e se houve alguma consequência prática para pacientes atendidos na unidade. 

Diante do caso, o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informou que a profissional foi retirada da escala e que não deverá retornar às atividades. A unidade também afirmou que as manifestações atribuídas à médica ocorreram em um grupo privado e tinham caráter pessoal, deixando claro que o conteúdo não representa a posição institucional do hospital ou da administração responsável pela unidade. 

Em nota, o hospital reforçou que decisões relacionadas à internação, permanência e alta de pacientes devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança. Segundo a instituição, preferências políticas, ideológicas, religiosas ou de qualquer outra natureza não podem interferir na assistência oferecida aos usuários do Sistema Único de Saúde. A unidade também informou que adotará os procedimentos internos necessários para esclarecer os fatos e avaliar eventual descumprimento das normas profissionais. 

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia também informou que tomou medidas administrativas depois de tomar conhecimento do episódio. A pasta reforçou às equipes de saúde a necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do SUS. A orientação busca deixar claro que o atendimento em unidades públicas deve seguir critérios assistenciais, independentemente das opiniões pessoais de pacientes ou profissionais. 

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) também acompanha o caso. A entidade informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas de forma sigilosa, seguindo as regras do processo ético-profissional. O conselho ainda informou que solicita esclarecimentos ao responsável técnico pela instituição envolvida. Dessa forma, além da apuração administrativa conduzida pelo município e pelo hospital, o episódio poderá ser analisado sob a perspectiva das normas que regulamentam o exercício da medicina. 

A repercussão do episódio ocorre poucos dias depois do primeiro turno das eleições e coloca novamente em discussão os limites entre opiniões políticas pessoais e a atuação profissional em serviços públicos. Em ambientes de saúde, decisões sobre pacientes precisam estar vinculadas às condições clínicas e às necessidades assistenciais, e não a preferências políticas. É justamente esse aspecto que aparece entre os principais pontos destacados pelo hospital em seu posicionamento oficial. 

O caso também chama atenção porque a mensagem, inicialmente restrita a um grupo privado, acabou alcançando o público e provocando consequências administrativas para a profissional. A situação agora depende das investigações para esclarecer todas as circunstâncias da conversa e verificar se houve qualquer impacto no atendimento dos pacientes. Até o momento, o que está confirmado é o afastamento da médica, a abertura de apuração e o posicionamento da unidade de que critérios políticos não fazem parte das decisões assistenciais. 

Com a investigação em andamento, novas informações poderão esclarecer se a orientação registrada na conversa ficou restrita ao ambiente privado ou se chegou a interferir efetivamente na rotina hospitalar. Enquanto isso, a administração do hospital reafirmou o compromisso com uma assistência impessoal, humanizada e tecnicamente orientada. O episódio segue sendo acompanhado pelas autoridades responsáveis e pelas entidades que analisam a conduta profissional. 
https://www.youtube.com/watch?v=xw-sSUepuc0

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