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Causa da morte de ex-vice-prefeita acusada de desvio para amarração amorosa é confirmada

A vice-prefeita de Ribeira, no interior de São Paulo, Juliana Maria Teixeira da Costa, morreu aos 40 anos neste sábado (26), após um acidente de carro na região da Estrada do Saltinho, na Rodovia SP-250. A informação foi divulgada pela Prefeitura de Ribeira, que publicou uma nota de pesar nas redes sociais. Juliana havia completado 40 anos em fevereiro e deixa dois filhos. As circunstâncias da ocorrência não foram detalhadas no comunicado oficial divulgado pelo município.

A notícia da morte ganhou repercussão também por causa do processo judicial que envolvia a então vice-prefeita. Juliana havia sido denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em uma investigação relacionada a suspeitas de irregularidades em licitações e contratos da área da Saúde de Ribeira. Entre as acusações apresentadas pela Promotoria estava a de que aproximadamente R$ 41,2 mil em recursos públicos teriam sido utilizados para custear um serviço espiritual descrito no processo como um “casamento espiritual” ou “amarração amorosa”. As acusações, contudo, eram objeto de análise judicial e não representam, por si só, uma condenação definitiva.

Segundo informações apresentadas pelo Ministério Público, as suspeitas investigadas abrangiam o período entre 2021 e 2024 e envolviam outras pessoas além de Juliana. A Promotoria apontou possíveis irregularidades em processos de contratação na área da Saúde, incluindo suspeitas relacionadas a licitações, documentos e repasses financeiros. O caso levou a Justiça a determinar medidas envolvendo contratos públicos que estavam sob questionamento. Juliana também havia sido afastada de suas funções públicas durante o andamento do processo.

Um dos pontos que mais chamou atenção na investigação foi a destinação dos R$ 41,2 mil mencionados na denúncia. Conforme o Ministério Público, o dinheiro teria sido repassado por meio de uma empresa contratada pela administração municipal e posteriormente destinado à responsável pelo serviço espiritual. A acusação sustentava que o trabalho teria relação com o então coordenador municipal de Saúde, Lauro Olegário da Silva Filho, e que o objetivo seria interferir na relação afetiva dele. Essas informações fazem parte da versão apresentada pela Promotoria no processo e foram contestadas no âmbito da defesa.

A mulher apontada como responsável pelo trabalho espiritual também apareceu nos relatos relacionados ao caso. Segundo informações divulgadas durante a investigação, ela afirmou que o serviço teria sido inicialmente orçado em valor muito superior ao que acabou sendo pago e declarou ter tido um prejuízo de mais de R$ 300 mil. Em outro relato, a responsável pelo serviço afirmou que não sabia que o dinheiro recebido tinha origem em recursos públicos. O episódio ganhou visibilidade justamente pela forma como o pagamento teria sido realizado e pela ligação apontada pelo Ministério Público com contratos da administração municipal.

A denúncia apresentada pelo MP-SP também envolvia suspeitas de associação entre os investigados para direcionar contratos públicos. De acordo com a acusação, teriam sido utilizados mecanismos como notas fiscais e procedimentos considerados irregulares pela Promotoria. Entre os crimes apontados na denúncia estavam associação criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, uso de documento falso, falsidade ideológica e peculato. A existência da denúncia, entretanto, deve ser diferenciada de uma decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade de cada pessoa citada no processo.

A morte de Juliana ocorreu enquanto o caso ainda repercutia no cenário político e jurídico de Ribeira. A Prefeitura informou oficialmente o falecimento e prestou solidariedade aos familiares, amigos e moradores do município. Na mensagem publicada nas redes sociais, a administração municipal destacou a atuação de Juliana e afirmou que ela deixa dois filhos. A nota também ressaltou lembranças relacionadas à trajetória da vice-prefeita na cidade.

O acidente aconteceu em uma área que liga a região de Saltinho, em Ribeira, a Caraças, em Itaóca, segundo informações divulgadas pela Câmara Municipal de Itaóca. Até a publicação das informações mais recentes, não haviam sido divulgados detalhes oficiais sobre a dinâmica da ocorrência. Dessa forma, permanecem sem confirmação pública informações mais específicas sobre o que teria provocado o acidente.

Com a confirmação da morte, a trajetória de Juliana passa a ser lembrada tanto pela atuação na administração municipal quanto pelo processo que havia colocado seu nome no centro de uma investigação do Ministério Público. O caso envolvendo os contratos da Saúde ganhou grande repercussão justamente pelas características das acusações e pelo valor citado na denúncia. Ao mesmo tempo, a morte da vice-prefeita provocou manifestações de pesar no município, especialmente pela idade e por ela deixar dois filhos. A Prefeitura de Ribeira encerrou sua manifestação destacando a despedida da cidade à política e prestando solidariedade aos familiares neste momento.

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