Michelle Bolsonaro é internada às pressas e hospital divulga boletim médico sem previsão de alta

A ex-primeira-dama e candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL), foi internada nesta terça-feira (22) no Hospital DF Star, em Brasília, para receber tratamento especializado após apresentar um quadro de enxaqueca refratária. Segundo a equipe médica, ela vinha realizando tratamento clínico ambulatorial havia cerca de dois meses, mas os sintomas persistiram. Até o momento, não há previsão de alta hospitalar.
De acordo com a nota divulgada pelo hospital, Michelle deu entrada na unidade para continuidade do atendimento médico e permanece sob acompanhamento especializado. A expressão “enxaqueca refratária” é utilizada para descrever situações em que os sintomas permanecem mesmo diante de tratamentos realizados anteriormente. O quadro já havia levado a candidata a procurar atendimento hospitalar em agosto, quando passou por exames e procedimentos médicos relacionados às dores de cabeça.
A internação desta semana acontece em meio à campanha eleitoral de 2026, na qual Michelle disputa uma das vagas do Distrito Federal no Senado. A candidatura dela foi oficialmente registrada pela Justiça Eleitoral, e seu nome aparece entre os pedidos de registro para o cargo de senador no Distrito Federal. A primeira internação, no início de agosto, ocorreu justamente às vésperas da convenção do Partido Liberal no DF que oficializou as candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. Na ocasião, Michelle não participou presencialmente do evento.
Enquanto Michelle recebia atendimento médico, outro episódio envolvendo sua campanha ganhou destaque em Brasília. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) determinou, também na terça-feira, a suspensão de propagandas eleitorais relacionadas às candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. As decisões foram tomadas pela juíza eleitoral auxiliar Gilda Sigmaringa Seixas em representações apresentadas pelo candidato ao Senado Guto Felício (PSDB).
Em uma das ações, foram questionadas três peças eleitorais nas quais Michelle aparecia durante uma parcela significativa do tempo. Segundo os dados apresentados na representação, a candidata ocupava aproximadamente 73,3% de uma das propagandas, 90% de outra e 73,3% de uma terceira. A Justiça Eleitoral considerou que a participação ultrapassava o limite estabelecido para apoiadores em peças de propaganda eleitoral e determinou que os materiais não fossem mais exibidos no formato analisado.
A regra utilizada na decisão estabelece limite de 25% para a participação de apoiadores em programas ou inserções eleitorais. No caso analisado, a magistrada entendeu que os percentuais apresentados nas peças ultrapassavam esse limite. As decisões são liminares, portanto ainda fazem parte de processos que seguem em tramitação e não representam necessariamente o encerramento das discussões judiciais sobre os materiais.
Além da questão relacionada ao tempo de exposição, uma das representações também levantou questionamentos sobre o possível uso de inteligência artificial na produção das imagens. Nesse ponto, porém, a alegação não foi acolhida na decisão liminar. Conforme as informações divulgadas sobre o processo, a magistrada considerou que as alterações analisadas poderiam estar dentro das exceções previstas para melhorias estéticas de imagem e som.
Outra decisão envolvendo propaganda eleitoral também alcançou uma peça destinada originalmente à candidatura de Alberto Fraga (PL) para deputado federal. Segundo informações sobre o caso, a inserção tinha 30 segundos e contava com a participação de Michelle e Bia Kicis durante a maior parte do material, enquanto Fraga aparecia nos segundos finais. A Justiça Eleitoral entendeu que a peça havia sido utilizada predominantemente para divulgar as candidaturas ao Senado e determinou a suspensão do formato questionado.
O episódio ocorre em uma fase de intensa movimentação das campanhas no Distrito Federal, onde Michelle Bolsonaro e Bia Kicis disputam vagas ao Senado. As decisões da Justiça Eleitoral passam a exigir das equipes responsáveis pelas propagandas a adequação dos materiais às regras de participação e distribuição do tempo. Novas versões das peças podem ser produzidas desde que observem os parâmetros estabelecidos pela legislação eleitoral e pelas decisões judiciais.
No caso de Michelle, a situação médica e os acontecimentos eleitorais se desenrolaram no mesmo dia, mas são questões distintas. Enquanto o hospital informou que ela permanece em tratamento especializado e sem previsão de alta, a Justiça Eleitoral segue analisando representações relacionadas às peças de campanha. Até o momento, as informações médicas divulgadas não estabelecem previsão para o retorno da candidata às atividades eleitorais.
A internação também retoma um problema que já havia exigido acompanhamento médico semanas atrás. Em agosto, Michelle passou por atendimento hospitalar para investigação e tratamento das dores de cabeça e recebeu alta após os procedimentos realizados. Agora, com a nova internação, a equipe médica acompanha a evolução do quadro e deverá definir os próximos passos conforme a resposta ao tratamento.
Assim, os próximos dias deverão reunir dois acompanhamentos diferentes: a evolução do estado de saúde de Michelle Bolsonaro, que permanece sob cuidados médicos, e o andamento das representações eleitorais no TRE-DF. As campanhas envolvidas ainda poderão apresentar suas manifestações nos processos, enquanto a candidata aguarda novas informações da equipe responsável por seu tratamento.



