Recém-nascida perde a vida logo após sua mãe e caso preocupa médicos e familiares

Recém-nascida perde a vida logo após sua mãe e caso preocupa médicos e familiares

A recém-nascida Jade Duarte de Moura morreu nesta quinta-feira (17), poucos dias depois da mãe, Jéssica Duarte Gonçalves, de 28 anos, que faleceu após apresentar complicações no período posterior ao parto. A bebê estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela avó paterna da criança. Jade nasceu em 8 de setembro, no Hospital Maternidade Mariska Ribeiro, em Bangu, também na Zona Oeste. Depois do nascimento, recebeu alta médica e foi levada para casa sob os cuidados da família paterna, mas apresentou problemas de saúde poucos dias depois.

Segundo informações divulgadas pela família, Jade começou a apresentar febre após retornar para casa. Inicialmente, os parentes levaram a recém-nascida a uma unidade de saúde particular, onde ela passou por exames. Como o quadro persistiu e teria se agravado, a família decidiu procurar o Hospital Municipal Albert Schweitzer na terça-feira (15). A criança foi internada na UTI neonatal em estado considerado grave. Havia suspeita de que Jade tivesse contraído uma infecção semelhante àquela que atingiu a mãe. A relação entre os dois casos, no entanto, ainda não está confirmada pelas autoridades e depende da investigação médica e dos exames realizados na recém-nascida.

Jéssica Duarte Gonçalves morreu no domingo (13), depois de ser transferida do Hospital Maternidade Mariska Ribeiro para o Albert Schweitzer. De acordo com relatos da família, a jovem começou a sentir fortes dores abdominais horas depois do nascimento da filha. Os parentes levantaram a hipótese de que algum material pudesse ter permanecido no corpo da paciente após o parto, mas essa suspeita ainda não foi comprovada. Jéssica havia chegado à maternidade por volta das 4h do dia 8 de setembro, com fortes contrações, embora a bolsa amniótica ainda não tivesse rompido. Durante o trabalho de parto, segundo familiares, ela teria solicitado uma cesariana, mas o pedido não teria sido atendido. Na tarde daquele mesmo dia, Jade nasceu.

Ainda segundo os familiares, as dores abdominais de Jéssica começaram logo após o parto e foram comunicadas a diferentes profissionais da maternidade. Os parentes afirmam que, inicialmente, os sintomas foram atribuídos a gases e que a paciente recebeu dipirona. Jéssica chegou a receber alta em 10 de setembro, mas retornou à unidade no mesmo dia porque as dores continuavam. A direção do Hospital Maternidade Mariska Ribeiro informou que, naquele momento, ela apresentava sinais de atonia uterina, condição em que o útero não se contrai adequadamente após o parto. Diante do agravamento do quadro, Jéssica foi transferida para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, onde recebeu diagnóstico de infecção generalizada e precisou passar por uma cirurgia de emergência. A causa da infecção ainda é investigada.

Jéssica não resistiu e morreu no domingo, deixando dois filhos, de 9 e 4 anos, além da recém-nascida Jade. Ela havia realizado anteriormente outros dois partos normais e, segundo os familiares, era considerada saudável e teve uma gestação sem complicações. O sepultamento da jovem aconteceu na quarta-feira (16), no Cemitério do Murundu, em Realengo. A despedida foi marcada pela comoção de parentes e amigos, que lamentaram a morte repentina. Um dia depois do sepultamento, a família recebeu a confirmação de outra perda: Jade, que permanecia internada desde terça-feira, também morreu. A sequência de acontecimentos deixou os familiares ainda mais abalados.

O caso envolvendo a morte de Jéssica é investigado pela 34ª DP (Bangu), que apura a possibilidade de negligência no atendimento prestado à paciente no Hospital Maternidade Mariska Ribeiro. O corpo da jovem passou por perícia, procedimento que poderá contribuir para esclarecer as circunstâncias da morte e determinar a causa da infecção que levou ao agravamento de seu estado de saúde. A direção da maternidade informou que também está revisando o atendimento prestado à paciente. Com a morte de Jade, as autoridades deverão acompanhar igualmente as informações relacionadas ao quadro clínico da recém-nascida. Até o momento, as suspeitas levantadas pela família permanecem sob investigação, sem conclusão oficial sobre eventual responsabilidade pelo desfecho dos dois casos.