Histórias do crime: Saiba qual era o carro que Suzane von Richthofen ganhou dos pais

Um carro que nasceu como símbolo de uma conquista acadêmica acabou entrando para a história de um dos casos criminais mais conhecidos do Brasil. O Volkswagen Gol Highway 2002 foi presenteado pelos pais de Suzane von Richthofen após a aprovação da filha no vestibular para o curso de Direito. Meses depois, porém, o mesmo automóvel passou a fazer parte dos acontecimentos relacionados à morte de Manfred e Marísia von Richthofen, ocorrida em 31 de outubro de 2002.
O veículo era um Gol Highway zero-quilômetro, modelo baseado na terceira geração do hatch da Volkswagen. Na época, a série especial chamava atenção por alguns equipamentos que não estavam presentes em versões mais simples do carro, como vidros escurecidos, supercalotas, para-choques pintados na cor da carroceria e painel com conta-giros. A unidade associada ao caso tinha a chamada cor bege Júpiter.
Segundo informações reunidas pelo jornalista Ullisses Campbell e publicadas pelo UOL, Suzane recebeu o automóvel como presente depois de ser aprovada para cursar Direito na PUC-SP. O carro teria se tornado parte da rotina da jovem, sendo utilizado para deslocamentos cotidianos e também para encontros com Daniel Cravinhos, que era seu namorado naquele período. A história do veículo, entretanto, ganharia uma dimensão completamente diferente poucos meses depois.
Na noite de 31 de outubro de 2002, Suzane dirigiu o Gol até a residência da família, localizada no bairro do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo. Daniel Cravinhos e o irmão dele, Cristian Cravinhos, estavam no automóvel. Depois de chegarem ao imóvel, os dois irmãos entraram na residência enquanto Suzane permaneceu do lado de fora. O casal Manfred e Marísia foi encontrado morto naquela noite, e a investigação posteriormente levou à condenação dos três envolvidos.
A participação do automóvel nos acontecimentos fez com que ele também aparecesse durante a reconstituição realizada pelas autoridades. Fotografias que integram o processo mostram o mesmo modelo sendo utilizado para reproduzir parte dos deslocamentos apresentados durante a investigação. O episódio transformou um veículo que havia sido comprado como recompensa por uma aprovação nos estudos em um dos elementos associados à reconstrução daquele caso.
Após a prisão dos envolvidos, o Gol permaneceu durante anos sob responsabilidade da família. De acordo com as informações publicadas pelo UOL, o automóvel ficou aproximadamente quatro anos parado na garagem da residência, juntamente com uma Chevrolet Blazer que pertencia a Marísia. O patrimônio ficou sob os cuidados de um tio paterno durante esse período, enquanto Andreas, irmão mais novo de Suzane, ainda era menor de idade.
Outro detalhe que chama atenção é que o carro estava registrado em nome de Manfred von Richthofen quando o caso aconteceu. Segundo a apuração de Ullisses Campbell, essa situação dificultou uma tentativa de venda do veículo após a prisão de Suzane. O automóvel acabou permanecendo guardado até 2006, quando foi vendido, quatro anos depois do episódio que mudou completamente o significado daquele presente.
O Gol também passou a despertar curiosidade entre o público anos depois, principalmente com a produção de filmes e outras obras inspiradas no caso. A história do automóvel ganhou espaço porque ele aparece associado a uma das etapas anteriores aos acontecimentos de outubro de 2002. A repercussão das produções audiovisuais fez com que detalhes que estavam restritos aos registros da investigação voltassem a chamar a atenção do público.
Existe ainda uma diferença importante entre o que aparece nas produções de ficção e o que foi relatado por fontes que pesquisaram os documentos do caso. Uma cena envolvendo uma promessa de Manfred de comprar um carro ainda melhor caso Suzane fosse aprovada no curso de Direito não corresponde aos fatos, segundo a apuração de Ullisses Campbell. A informação disponível indica que o Gol foi dado como presente pela aprovação no vestibular, mas não há confirmação de que tenha existido aquele diálogo retratado no cinema.
O caso de Suzane voltou a receber atenção nos últimos anos por diferentes motivos, incluindo produções audiovisuais que revisitaram os acontecimentos e despertaram novamente o interesse do público. A série Tremembé, por exemplo, fez o nome de Suzane voltar ao centro das buscas na internet após sua estreia, mostrando como episódios marcantes da história brasileira continuam despertando curiosidade décadas depois.
Hoje, a história daquele Gol permanece ligada à memória do caso. O automóvel, que inicialmente representava uma conquista nos estudos e uma expectativa familiar para o futuro de uma jovem, acabou incorporado aos registros de uma investigação que ganhou enorme repercussão nacional. A trajetória do veículo mostra como objetos aparentemente comuns podem adquirir novos significados quando passam a fazer parte de acontecimentos que marcam profundamente a história de uma família e de um país.



