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Coronel relata rotina no presídio e afirma viver inversão de hierarquia

O tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto voltou a chamar atenção no caso envolvendo a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana. Preso e respondendo ao processo, o oficial relatou à Corregedoria da PM detalhes da rotina que afirma enfrentar no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

Durante o depoimento, Geraldo afirmou que a experiência dentro da unidade é muito diferente da realidade que conheceu durante sua carreira. Segundo ele, a maioria dos internos é formada por cabos e soldados, enquanto os oficiais seriam minoria.

A situação, de acordo com seu relato, teria provocado uma espécie de inversão da hierarquia militar. O coronel disse que precisa pedir autorização ao policial mais antigo de determinada cela para entrar no espaço. Também afirmou realizar tarefas de limpeza e buscar refeições para os internos.

O relato ganhou repercussão principalmente pela maneira como o próprio oficial descreveu a situação. Em determinado momento da oitiva, ele afirmou: “Eu sou um escravo”. A declaração foi feita ao explicar como percebe sua rotina atual e as dificuldades que diz enfrentar desde que passou a cumprir a prisão.

Geraldo também contou que existem regras internas entre os próprios detentos, além das normas oficiais da unidade. Entre as atividades mencionadas estão a limpeza de banheiros, louças e corredores, além da organização de tarefas relacionadas às refeições.

Outro aspecto citado pelo tenente-coronel envolve policiais que, segundo ele, já estiveram sob sua fiscalização durante sua trajetória profissional. Geraldo exerceu funções de comando em diferentes regiões de São Paulo e afirmou que alguns desses agentes atualmente estão no mesmo presídio.

Segundo sua versão, esses policiais o encontram na unidade e fazem cobranças relacionadas ao período em que ele ocupava funções de autoridade. Ele também mencionou um episódio de janeiro de 2025, quando afirmou ter tomado medidas contra policiais por insubordinação.

É importante destacar que essas declarações fazem parte do relato apresentado pelo próprio Geraldo durante o procedimento. As informações sobre supostas cobranças ou tratamento diferenciado não significam, por si só, que essas situações tenham sido oficialmente comprovadas.

Enquanto o caso continua sendo acompanhado pela Justiça, uma nova etapa do processo também sofreu alteração. O interrogatório de Geraldo na Justiça comum, que estava previsto para 8 de setembro, foi novamente adiado. A nova data foi marcada para 5 de outubro, às 13h.

A decisão ocorreu depois que a defesa solicitou diligências complementares. Entre as medidas determinadas está um esclarecimento de uma perita sobre uma gravação mencionada anteriormente no processo. O Instituto de Criminalística também deverá apresentar uma nova complementação aos quesitos apresentados pela defesa.

O caso segue em tramitação, e o próximo interrogatório deverá ser acompanhado de perto justamente por poder acrescentar novos elementos à discussão judicial. Até lá, os diferentes relatos apresentados durante a investigação continuam sendo analisados pelas autoridades responsáveis.

Mais do que as declarações feitas dentro do presídio, o episódio mostra como a investigação permanece cercada por questões ainda em análise. A Justiça deverá avaliar provas, depoimentos e demais elementos antes de chegar às conclusões definitivas sobre o caso.

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