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Fatalidade e justiça: Sonho de empresária termina em tragédia após procedimentos estéticos; médicos responderão na Justiça

A Polícia Civil do Pará concluiu nesta sexta-feira (4) a investigação sobre a morte da empresária Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, após uma sequência de procedimentos de cirurgia plástica realizados em Belém. Ao todo, quatro médicos foram indiciados no inquérito que buscou esclarecer as circunstâncias do atendimento prestado à paciente. Entre os profissionais estão o cirurgião plástico responsável pelos procedimentos, o anestesista e dois médicos que estavam de plantão no hospital durante o período em que o estado de saúde da empresária apresentou piora. O caso agora entra em uma nova etapa, com o encaminhamento da investigação ao Ministério Público.

Giovanna foi submetida, no dia 7 de agosto, a quatro procedimentos realizados em uma única sessão: cirurgia nas mamas com colocação de próteses, abdominoplastia, lipoaspiração e enxertia de gordura. Segundo informações apresentadas durante a investigação, ela permaneceu internada após a operação e passou a apresentar sintomas que chamaram a atenção da família. Relatos indicam que a empresária começou a sentir fortes dores e também apresentou episódios de vômito durante o período pós-operatório. No dia seguinte, seu quadro clínico apresentou uma piora significativa, exigindo novas intervenções da equipe médica.

A situação se agravou em 8 de agosto, quando Giovanna perdeu a consciência e sofreu paradas cardíacas. Segundo as informações reunidas no caso, a equipe realizou procedimentos de reanimação e uma nova cirurgia foi feita na tentativa de reverter o quadro. Apesar dos esforços médicos, a empresária não resistiu e morreu naquele mesmo dia. O laudo do Instituto Médico Legal foi um dos elementos considerados pela Polícia Civil durante a apuração. Conforme informações divulgadas sobre o documento, foram apontados choque hemorrágico e síndrome compartimental abdominal entre os fatores associados à morte.

Com o avanço da investigação, a Polícia Civil analisou documentos médicos, depoimentos e informações relacionadas ao atendimento prestado antes e depois da cirurgia. Ao todo, pelo menos 12 testemunhas foram ouvidas. A atuação dos médicos que estavam de plantão também passou a ser examinada, principalmente diante dos relatos de que Giovanna apresentou piora durante a madrugada e precisaria de avaliação. Segundo a conclusão policial, os dois plantonistas teriam sido acionados, mas não teriam comparecido pessoalmente ao leito para avaliar a paciente. A conduta foi considerada no inquérito e resultou nos respectivos indiciamentos.

O cirurgião plástico André Melo foi indiciado por homicídio culposo majorado e também por falsidade ideológica. De acordo com a Polícia Civil, a segunda imputação está relacionada a uma suposta informação considerada falsa inserida no prontuário médico da empresária. A investigação apontou que teria sido registrada a participação do médico em um procedimento realizado no dia 8 de agosto, quando, segundo os elementos analisados pela polícia, ele não teria participado daquela intervenção. O anestesista César Collyer também foi indiciado por homicídio culposo majorado. Os plantonistas Marcelo Antony Dantas e Aline Kzam foram igualmente indiciados, com diferenças na classificação atribuída pela autoridade policial.

A investigação policial, entretanto, não representa uma condenação dos profissionais. Com o encerramento do inquérito, os documentos deverão ser analisados pelo Ministério Público, que poderá avaliar as provas reunidas e decidir quais serão os próximos passos do caso. A defesa dos médicos também terá espaço para apresentar suas versões e contestar as conclusões da investigação. Paralelamente, a morte de Giovanna continua sendo acompanhada pelo Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA), que instaurou procedimento próprio para analisar a conduta profissional e as circunstâncias relacionadas ao atendimento. A apuração administrativa segue independente da investigação criminal.

A conclusão do inquérito representa, portanto, uma mudança importante na trajetória do caso, que começou com a morte de uma jovem de 29 anos poucas horas depois de passar por quatro procedimentos estéticos. Agora, caberá às próximas instituições avaliar os elementos reunidos pela Polícia Civil e definir se haverá novas diligências ou eventual encaminhamento à Justiça. Para a família de Giovanna, a expectativa é que todas as circunstâncias sejam esclarecidas, especialmente sobre o atendimento recebido no período pós-operatório e os acontecimentos que antecederam sua morte. Enquanto isso, os quatro médicos permanecem sob investigação, e qualquer responsabilização definitiva dependerá das próximas etapas do processo legal.

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