Governo do Nepal já contabiliza quase mil óbitos e números podem ser ainda maiores

O Nepal iniciou nesta segunda-feira (31) os sepultamentos de parte das vítimas de uma das maiores tragédias recentes registradas na região do Himalaia. O desastre, provocado pelo colapso de uma geleira que desencadeou uma enorme movimentação de gelo, pedras e outros materiais, atingiu áreas do Nepal e da China e deixou um cenário de grande comoção. O balanço mais recente aponta para 955 mortes e cerca de 4,5 mil pessoas desaparecidas nos dois países. No Nepal, foram confirmadas 939 mortes e 3.935 desaparecimentos, enquanto, na China, há registro de 16 vítimas fatais e 546 pessoas cujo paradeiro ainda não foi localizado. Diante da quantidade de vítimas e das dificuldades enfrentadas pelas equipes, as autoridades começaram a organizar enterros coletivos antes mesmo da conclusão de todos os processos de identificação.
A dimensão da tragédia também pode ser percebida pelo movimento nos centros de atendimento e hospitais da região. Familiares têm procurado informações sobre parentes que estavam nas áreas afetadas, enquanto equipes trabalham para localizar pessoas que ainda podem estar desaparecidas. Entre elas estão turistas e peregrinos que viajavam em direção ao Monte Kailash, no Tibete, uma montanha considerada sagrada por diferentes tradições religiosas. A região recebe visitantes de várias partes do mundo, o que tornou ainda mais complexa a tarefa de reunir informações sobre todas as pessoas que estavam no local quando o desastre aconteceu. Com estruturas de atendimento sobrecarregadas, autoridades passaram a concentrar esforços tanto na localização dos desaparecidos quanto na identificação das vítimas.
Outro ponto que chama atenção no balanço é o número de trabalhadores de usinas hidrelétricas entre os desaparecidos no Nepal. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, 933 trabalhadores ainda não haviam sido localizados. Muitos deles estavam em instalações construídas em áreas montanhosas, onde o acesso se tornou bastante difícil após a passagem da onda de gelo, pedras e detritos. As equipes de emergência precisaram adaptar as estratégias de busca às condições encontradas no local, utilizando equipamentos e estruturas capazes de alcançar áreas que ficaram isoladas. O objetivo é verificar cada ponto onde possa haver pessoas aguardando auxílio e ampliar as possibilidades de localização dos trabalhadores.
No último domingo (30), soldados e engenheiros do Exército nepalês concentraram esforços em um túnel de uma usina hidrelétrica situada no vale de um rio do Himalaia. As equipes realizaram perfurações nos escombros e conseguiram inserir um tubo no interior da estrutura, criando uma alternativa para alcançar trabalhadores que poderiam estar presos na área. A operação exigiu planejamento e cuidado devido às condições do terreno e à quantidade de material acumulado. Os trabalhos fazem parte de uma ampla mobilização que envolve diferentes equipes, em uma corrida contra o tempo para encontrar informações sobre centenas de pessoas que permanecem desaparecidas.
Relatos de trabalhadores que conseguiram deixar as áreas afetadas ajudam a compreender a dimensão do ocorrido. Um deles, Surendra Dowluri, de 33 anos, contou que estava trabalhando em uma usina quando percebeu uma forte correnteza avançando pelo local. Segundo seu relato, a área das turbinas ficou tomada por lama e seis trabalhadores ficaram presos. Cinco deles conseguiram ser retirados, enquanto outro não sobreviveu. Outros funcionários conseguiram alcançar regiões mais elevadas ou permaneceram em setores da usina que não foram diretamente atingidos. Os depoimentos passaram a auxiliar as equipes de emergência na compreensão de como o desastre avançou pelas instalações e quais pontos precisam receber atenção prioritária.
Enquanto as buscas continuam, o Nepal também enfrenta o difícil processo de prestar assistência às famílias e organizar a despedida das vítimas. A quantidade de pessoas desaparecidas mantém milhares de parentes em busca de respostas, enquanto autoridades dos dois países trabalham para atualizar os números e avançar na identificação. A situação no Himalaia permanece acompanhada de perto diante da extensão da área atingida e dos desafios impostos pelo terreno. O início dos sepultamentos coletivos representa uma etapa dolorosa para as comunidades afetadas, mas as operações de busca ainda prosseguem em diferentes pontos. A prioridade agora é localizar o maior número possível de desaparecidos, identificar as vítimas e oferecer informações às famílias que aguardam notícias sobre seus parentes.



