Brasileira que salvou criança de 9 anos morre afogada nos Estados Unidos

A história de uma brasileira que vivia nos Estados Unidos ganhou repercussão entre a comunidade brasileira no país e mobilizou uma corrente de solidariedade. Priscila Álvares Pereira dos Santos, natural de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, morreu aos 33 anos depois de entrar no Rio Delaware, em Nova Jersey, para tentar ajudar uma criança de 9 anos que estava em dificuldade na água. O episódio aconteceu na tarde da última segunda-feira (24), na região de Delran. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e repercutidas pela revista People, Priscila conseguiu alcançar a menina e a conduziu na direção da margem. Outros banhistas conseguiram retirar a criança da água, mas a brasileira não conseguiu retornar para a margem. A menina sobreviveu.
As equipes de emergência foram acionadas pouco antes das 16h e iniciaram as buscas pela brasileira. Os trabalhos seguiram até as 21h45, quando foram interrompidos durante a noite, sendo retomados às 6h30 da manhã seguinte. Por volta das 8h15 de terça-feira (25), as equipes localizaram o corpo de Priscila a cerca de seis metros da praia, nas proximidades do Parque da Ilha Amico. Para os familiares, a data tornou o momento ainda mais difícil: 25 de agosto era justamente o dia em que Priscila completaria 34 anos. A confirmação encerrou horas de expectativa e deu início a uma nova etapa para os parentes, que agora precisam lidar com a despedida e com os custos envolvidos no retorno da brasileira ao país de origem.
Priscila morava nos Estados Unidos havia aproximadamente quatro anos e construiu no país uma rotina voltada principalmente para a família. Ela era casada com Alex Cândido do Nascimento e mãe de duas crianças, de 9 e 3 anos. Para contribuir com as despesas da casa, trabalhava com limpeza de residências, enquanto o marido atuava com entregas postais. Familiares descrevem Priscila como uma mulher dedicada aos filhos e presente na rotina doméstica. O filho mais novo, de 3 anos, é autista e não verbal, segundo informações da família, e dependia especialmente da mãe para cuidados e atividades do dia a dia. A ausência de Priscila, portanto, representa não apenas uma perda afetiva, mas também uma mudança significativa na estrutura familiar.
Após a confirmação da morte, familiares buscaram orientação junto ao Consulado-Geral do Brasil em Nova York para entender os procedimentos necessários. Segundo a família, o órgão informou que poderia oferecer orientação e auxílio relacionado à documentação, incluindo a emissão da certidão de óbito e os trâmites de repatriação, mas os custos para transportar o corpo até o Brasil não seriam assumidos pelo consulado. Diante das despesas, brasileiros que vivem na região de Delaware decidiram organizar uma campanha de arrecadação para apoiar os parentes. A iniciativa ganhou força entre pessoas que conheceram a trajetória de Priscila e outras que se sensibilizaram com a situação enfrentada pela família após a perda.
A campanha tem como objetivo reunir recursos para diferentes necessidades, incluindo as despesas do funeral e o traslado do corpo de Priscila para o Brasil. Parte da arrecadação também deverá auxiliar nas viagens de familiares, nos custos de moradia e alimentação e na manutenção dos dois filhos durante o período de adaptação à nova realidade. O afastamento temporário de Alex do trabalho também aumentou a preocupação da família com as despesas domésticas, já que ele passou a ser o principal responsável pelos cuidados das crianças. De acordo com os familiares, a arrecadação foi criada com autorização da família e tem Alex como beneficiário. Os recursos também poderão contribuir para serviços e acompanhamento necessários ao filho mais novo, além de outras despesas relacionadas à rotina das crianças.
Na descrição da campanha, os organizadores destacam a maneira como Priscila era dedicada aos familiares e afirmam que ela também tinha o hábito de ajudar outras pessoas. A mobilização criada após sua morte mostra como a comunidade brasileira no exterior pode se unir em momentos de grande dificuldade, especialmente quando uma família precisa enfrentar despesas inesperadas longe do país de origem. Agora, além da despedida, os familiares buscam garantir que os dois filhos tenham condições de seguir a rotina e recebam o suporte necessário. A história de Priscila deixa uma marca entre aqueles que a conheceram e também chama atenção para a importância da solidariedade diante de situações que transformam, de maneira inesperada, a vida de uma família inteira.



