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Quatro pessoas são condenadas a indenizar triatleta após ataque de pitbulls

Uma decisão da Justiça chamou atenção ao condenar quatro pessoas ao pagamento de uma indenização de R$ 158 mil a uma triatleta que sofreu ferimentos após ser atacada por cães da raça pitbull. O caso ocorreu no interior de São Paulo e ganhou repercussão pela gravidade das consequências enfrentadas pela atleta e pelo valor definido na decisão judicial.

A decisão foi tomada pela Justiça de Leme, no interior paulista, e envolve o triatleta Tiago Ferranti Belloube, de Ribeirão Preto. O caso aconteceu em março de 2022, quando ele realizava um treino na zona rural do município e foi surpreendido por cães da raça pitbull. O episódio deixou consequências importantes para sua saúde e exigiu atendimento hospitalar, procedimentos médicos e um longo período de recuperação. Agora, mais de quatro anos depois, a Justiça definiu que quatro pessoas deverão responder solidariamente pelos prejuízos causados ao atleta. A decisão, publicada nesta segunda-feira (24), ainda pode ser contestada por meio de recurso.

Os responsáveis pelos cães identificados no processo são Efrain Ferreira Campos e Roselene Pereira Ribeiro, que trabalhavam como caseiros da propriedade onde os animais permaneciam. Os proprietários do sítio, André Cechinatti e Evelin Drociunas Pacheco Cechinatti, também foram incluídos na condenação. Segundo a decisão judicial, a responsabilidade não ficou restrita a quem fazia diretamente a guarda dos cães, já que o magistrado entendeu que os proprietários também tinham deveres relacionados à fiscalização e às condições de segurança do local.

O valor total da indenização foi fixado em R$ 158.194,88. A quantia reúne R$ 80 mil por danos morais, R$ 25 mil por danos estéticos, R$ 29.194,88 referentes a despesas e prejuízos materiais e R$ 9 mil por lucros cessantes, relacionados ao período em que o triatleta ficou impossibilitado de exercer plenamente suas atividades. A sentença também prevê que eventuais gastos futuros com tratamento e uma possível redução da capacidade física poderão ser analisados em outra etapa do processo.

As consequências para Tiago foram significativas. O atleta precisou permanecer seis dias internado e passou por procedimentos médicos complexos, incluindo uma microcirurgia para reconstrução do tendão de Aquiles, além de tratamento para outras áreas afetadas e um extenso processo de fisioterapia. A recuperação exigiu tempo e afastamento das atividades, alterando temporariamente a rotina de quem tinha no esporte uma parte importante de sua vida. O longo acompanhamento médico se tornou um dos elementos considerados na ação de indenização.

Ao justificar a condenação, o juiz Luciano Francisco Bombardieri destacou problemas relacionados ao cercamento e à guarda dos animais. Conforme a decisão, havia uma placa alertando sobre a presença de cães agressivos, mas o portão da propriedade possuía uma abertura que permitia a saída dos animais. O magistrado também considerou informações de que os cães já haviam causado preocupação em outras ocasiões e que medidas adequadas não teriam sido tomadas para impedir novos episódios. A defesa dos caseiros informou que pretende recorrer, enquanto o advogado dos proprietários declarou que ainda não havia se manifestado sobre a sentença por não ter tido acesso ao conteúdo completo da decisão.

O caso ganhou repercussão não apenas pelo valor da indenização, mas também pela discussão sobre a responsabilidade na guarda de animais e o dever de manter propriedades seguras para evitar situações semelhantes. Para Tiago, a decisão representa mais um capítulo de uma recuperação que começou em 2022 e exigiu meses de tratamento e adaptação. A condenação é solidária, o que significa que o pagamento poderá ser cobrado dos responsáveis definidos no processo, conforme os critérios legais. Enquanto o processo ainda pode seguir para novas etapas na Justiça, a história do triatleta chama atenção para as consequências que uma falha na guarda de animais pode trazer à vida de uma pessoa.

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