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Habib’s entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 mi

O Grupo Gennius, responsável por marcas conhecidas do setor de alimentação como Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou oficialmente em recuperação judicial após acumular dívidas estimadas em R$ 265,2 milhões. O pedido foi apresentado à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na segunda-feira (24) e aceito pela Justiça no dia seguinte. Segundo a empresa, a medida integra um processo de reorganização financeira destinado a preservar a continuidade das operações e criar condições para que o grupo negocie suas obrigações com os credores. Apesar do cenário financeiro desafiador, a companhia informou que as lojas continuam funcionando normalmente e que o processo judicial não representa interrupção das atividades. A expectativa agora é que a recuperação permita uma renegociação estruturada dos compromissos financeiros, garantindo maior previsibilidade para fornecedores, funcionários, franqueados e demais parceiros comerciais ligados às redes.

A decisão de recorrer à recuperação judicial ocorreu depois de uma tentativa anterior de reorganizar as dívidas por meio de uma tutela cautelar antecedente, instrumento obtido pela companhia no fim de julho. Esse mecanismo concedeu uma proteção temporária contra determinadas cobranças e permitiu que o grupo buscasse uma solução negociada antes de ingressar formalmente com o pedido de recuperação. Segundo a própria empresa, entretanto, as conversas com os credores não avançaram de maneira suficiente para resolver o problema dentro daquele período. Diante disso, a administração decidiu utilizar o procedimento previsto na legislação brasileira para empresas que enfrentam dificuldades financeiras, mas ainda possuem condições de continuar em funcionamento. A recuperação judicial estabelece um ambiente supervisionado pela Justiça no qual devedor e credores podem negociar prazos, condições de pagamento e outras medidas de reorganização, evitando decisões isoladas que possam comprometer o funcionamento das empresas envolvidas.

Entre os fatores apontados pelo Grupo Gennius para explicar a situação estão os efeitos acumulados da pandemia entre 2020 e 2022, período que afetou diretamente o funcionamento presencial de restaurantes em todo o país. Além da redução temporária do movimento nas lojas, a empresa afirma que houve uma transformação relevante nos hábitos dos consumidores, marcada pela expansão das plataformas digitais de entrega e dos marketplaces. Esse novo ambiente aumentou a concorrência e modificou a relação entre restaurantes, consumidores e aplicativos. Paralelamente, o grupo acumulou endividamento bancário superior a R$ 300 milhões, segundo informações apresentadas no processo, fazendo com que uma parcela crescente do fluxo de caixa fosse destinada ao pagamento de obrigações financeiras. Essa combinação de custos elevados, mudanças no comportamento do consumidor e compromissos bancários passou a pressionar a estrutura da companhia, levando a administração a intensificar um processo interno de redução de despesas e revisão de seu modelo de operação.

Com a recuperação judicial aceita, a Justiça nomeou a KPMG Corporate Finance para atuar como administradora judicial do processo. O Grupo Gennius terá agora prazo de 60 dias para apresentar seu plano de recuperação, documento que deverá detalhar as condições propostas para reorganização das dívidas e continuidade das operações. O juiz responsável pelo caso também suspendeu cláusulas que poderiam provocar o vencimento antecipado de determinadas obrigações e determinou a continuidade do fornecimento de insumos mediante pagamento à vista. Por outro lado, não foi atendido o pedido do grupo para liberar determinados recebíveis que haviam sido cedidos fiduciariamente aos bancos. A empresa pretendia utilizar esses valores para ampliar a disponibilidade imediata de recursos em caixa. Assim, parte importante das próximas semanas será dedicada à elaboração de uma proposta considerada viável tanto pela companhia quanto pelos credores envolvidos no processo.

Fundado em 1988 pelo empresário Alberto Saraiva, o Habib’s tornou-se uma das redes de alimentação mais reconhecidas do Brasil ao apostar em preços acessíveis, expansão por franquias e grandes unidades de rua. Ao longo dos anos, o modelo permitiu uma presença nacional expressiva e levou a empresa a alcançar centenas de restaurantes. Na década passada, a rede chegou a operar cerca de 600 unidades e registrou faturamento anual próximo de R$ 3 bilhões, de acordo com informações divulgadas sobre sua trajetória. Entretanto, manter estruturas grandes, com estacionamento, áreas infantis, drive-thru e elevados custos operacionais tornou-se mais complexo diante das mudanças recentes no mercado. O avanço do delivery, o aumento de custos imobiliários e trabalhistas e a procura por operações mais compactas fizeram com que o grupo começasse a rever sua estratégia de expansão física.

Nos últimos anos, essa transformação resultou no fechamento de unidades consideradas pouco rentáveis e na ampliação de formatos menores, como lojas em praças de alimentação, quiosques, operações voltadas ao delivery e estruturas conhecidas como dark kitchens. A recuperação judicial deverá aprofundar esse processo de reorganização e indicar quais medidas serão adotadas para equilibrar as contas no longo prazo. Para consumidores, a principal informação neste momento é que Habib’s, Ragazzo, Tendall Grill e as demais operações do grupo seguem funcionando, de acordo com o posicionamento divulgado pela companhia. A recuperação judicial não significa encerramento das atividades, mas um mecanismo utilizado para tentar reorganizar dívidas enquanto o negócio permanece em operação. O próximo ponto decisivo será a apresentação do plano de recuperação e sua análise pelos credores e pela Justiça, etapa que poderá indicar como uma das redes de alimentação mais tradicionais do país pretende adaptar sua estrutura financeira ao novo cenário do mercado brasileiro.

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