Notícias

Instituto dos EUA se pronuncia e diz que tentará ajudar Lito Sousa

 

O Broad Institute, centro de pesquisa dos Estados Unidos ligado a instituições como MIT e Harvard, informou nesta terça-feira (25) que está em contato com a equipe do influenciador e especialista em aviação Lito Sousa para avaliar alternativas diante do diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). O posicionamento veio após uma ampla mobilização nas redes sociais, iniciada depois que Lito publicou um vídeo pedindo ajuda para ter acesso a pesquisas e tratamentos experimentais no exterior. Segundo o instituto, dezenas de milhares de pessoas entraram em contato para chamar atenção para o caso. Apesar da repercussão, a instituição adotou cautela e deixou claro que ainda não existe garantia de que poderá oferecer uma alternativa ao brasileiro. “Não sabemos se poderemos ajudá-lo, mas vamos tentar”, afirmou o Broad em sua manifestação pública. 

O Broad Institute está entre as instituições procuradas pela família porque participa do desenvolvimento do PRiSM, estudo clínico que avalia uma terapia experimental para doenças causadas por príons. A estratégia estudada utiliza RNA de interferência, conhecido como siRNA, com o objetivo de reduzir a produção da proteína priônica no cérebro. A pesquisa, entretanto, está em fase inicial, voltada principalmente para avaliar segurança e tolerabilidade. Resultados obtidos anteriormente em modelos animais estimularam o avanço dos estudos, mas ainda não permitem concluir que a abordagem seja eficaz em seres humanos. O próprio instituto ressaltou que as doenças priônicas são raras e que, atualmente, não existe tratamento comprovadamente capaz de interromper a progressão da DCJ. Dessa forma, o contato com a equipe de Lito representa a abertura de uma avaliação, e não a confirmação de uma vaga ou de acesso ao medicamento experimental. 

A mobilização ganhou força no domingo (23), quando Lito apareceu em vídeo pedindo auxílio diretamente a pesquisadores e instituições internacionais. Entre os nomes mencionados estavam o Broad Institute, Harvard, Mayo Clinic e a farmacêutica Ionis Pharmaceuticals. A partir da publicação, seguidores passaram a marcar instituições e pesquisadores nas redes sociais, usando campanhas como #HelpLito, #MayDayLito e #SaveLito. A repercussão levou o caso a alcançar centros responsáveis por pesquisas sobre doenças priônicas. Lito, conhecido pelo canal Aviões e Músicas, foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurodegenerativa rara associada ao acúmulo de proteínas anormais no cérebro e que pode comprometer progressivamente funções motoras e cognitivas. 

Antes do novo posicionamento do Broad Institute, a esposa de Lito, Mila Seidl, havia informado que a família ainda não conseguira acesso efetivo aos tratamentos experimentais procurados. Segundo ela, a Ionis Pharmaceuticals comunicou que os estudos envolvendo o medicamento experimental ION717 estavam fechados para novos participantes e que não havia, naquele momento, possibilidade de disponibilização por uso compassivo. Em relação ao estudo do Broad, a possibilidade inicialmente apresentada envolveria uma avaliação para participação no grupo de controle, que não recebe o medicamento experimental. A situação evidencia uma diferença importante: estar em contato com pesquisadores ou passar por avaliação não significa necessariamente ser incluído em um ensaio clínico nem receber a terapia investigada. Estudos desse tipo possuem critérios médicos e científicos próprios para definir quais pacientes podem participar. 

O governo brasileiro também informou que passou a atuar na tentativa de ampliar as possibilidades disponíveis. Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde confirmou à CNN Brasil que solicitou a inclusão de Lito em estudo experimental nos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores também mobilizou representações diplomáticas brasileiras nos Estados Unidos, França e Alemanha para auxiliar na busca por pesquisas que possam avaliar o caso. Essas iniciativas, contudo, não garantem a participação do influenciador, já que a decisão depende das instituições responsáveis pelos ensaios clínicos e dos critérios estabelecidos em cada protocolo. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já havia informado anteriormente que a pasta mantinha contatos com instituições internacionais para buscar alternativas. 

O pronunciamento do Broad Institute representa, portanto, um avanço no diálogo, mas não a confirmação de tratamento para Lito Sousa. Até o momento, não há informação de que ele tenha sido oficialmente incluído no estudo PRiSM ou recebido autorização para utilizar alguma das terapias experimentais mencionadas pela família. O instituto afirma que analisará as opções possíveis ao mesmo tempo em que ressalta as limitações atuais da ciência diante da doença. A mobilização pública aumentou a visibilidade do caso e aproximou a equipe de Lito de pesquisadores internacionais, enquanto autoridades brasileiras também procuram caminhos institucionais para auxiliar. Os próximos passos dependerão da avaliação médica, dos critérios de elegibilidade das pesquisas e das decisões dos centros responsáveis pelos estudos. Qualquer anúncio de acesso a um medicamento ou participação efetiva em ensaio clínico ainda precisará ser confirmado oficialmente pelas instituições envolvidas. 

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: