Cobrador recebe R$ 15,5 bilhões por engano e caso termina na Justiça

Imagine abrir o aplicativo do banco em um dia comum e encontrar um saldo de R$ 15,5 bilhões na conta. Foi exatamente essa a situação vivida pelo cobrador de ônibus Jairo Xavier Evangelista, de Valparaíso de Goiás. O valor apareceu em sua conta em abril de 2019, após um erro operacional da instituição financeira.
A primeira reação poderia ser de surpresa, mas Jairo rapidamente percebeu que havia alguma coisa errada. Afinal, uma quantia daquela dimensão não correspondia à sua realidade financeira. Em vez de tentar utilizar o dinheiro, ele entrou em contato com o banco e informou o ocorrido.
Segundo relatos apresentados posteriormente no processo, a instituição confirmou que havia cometido um equívoco e informou que faria a correção. O problema, porém, não terminou com a retirada do valor da conta.
Durante o procedimento, o cartão de Jairo acabou bloqueado. O detalhe que mais chamou atenção no caso foi que ele não teria sido avisado previamente sobre a restrição. Pouco depois, o cobrador descobriu a situação da maneira mais inconveniente possível: tentou utilizar o cartão para abastecer o carro e o pagamento não foi autorizado.
Por alguns dias, ele ficou sem conseguir movimentar normalmente os recursos que já possuía. Jairo contou que precisou lidar com dificuldades práticas e até se deslocar até uma agência em Taguatinga, no Distrito Federal, localizada a cerca de 40 quilômetros de sua residência.
A situação ganhou novos capítulos quando o cobrador decidiu procurar a Justiça. Em 2020, ele entrou com uma ação contra a instituição financeira e pediu R$ 10 mil como reparação pelos transtornos enfrentados.
O processo foi analisado pela Justiça Federal em Goiás. A decisão reconheceu falha na prestação do serviço, mas estabeleceu uma indenização de R$ 1 mil, valor considerado proporcional às circunstâncias comprovadas no processo.
O episódio voltou a chamar atenção em agosto de 2026, quando reportagens relembraram a história. O caso continua sendo lembrado não apenas pelo valor extraordinário que apareceu no extrato, mas principalmente pela postura adotada pelo cobrador.
Anos depois, Jairo afirmou que faria novamente a mesma escolha caso uma situação semelhante acontecesse. Para ele, o dinheiro não lhe pertencia e o correto era comunicar o banco e permitir que o erro fosse corrigido.
A história também serve como um lembrete para quem utiliza serviços bancários. Quando surge uma movimentação inesperada, especialmente envolvendo valores muito acima do habitual, o mais prudente é não movimentar a quantia e procurar imediatamente a instituição responsável.
No fim, aquilo que começou com um saldo de bilhões terminou longe de qualquer mudança de vida. O valor foi devolvido, o cartão voltou a funcionar e a discussão passou a ser analisada nos tribunais. Para Jairo, ficou uma experiência bastante incomum e uma lembrança de que, no mundo financeiro, um simples erro no sistema pode gerar consequências bem maiores do que aparecem na tela do celular.



