Médica é denunciada pela morte de seis crianças no Paraná

Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná colocou sob atenção da Justiça os procedimentos adotados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. A médica responsável pela direção técnica do setor foi denunciada após a morte de seis crianças associada à contaminação por bactérias multirresistentes, em um período que vai de maio a julho de 2024. A Justiça recebeu a acusação e determinou que a profissional responda pelo crime de homicídio culposo, modalidade em que não há intenção de provocar a morte. O caso agora segue para as próximas etapas do processo, enquanto familiares aguardam esclarecimentos sobre as circunstâncias que envolveram os atendimentos.
Segundo as informações reunidas durante a investigação, o Ministério Público identificou possíveis falhas relacionadas aos procedimentos de prevenção e controle de infecções dentro da unidade. Entre os pontos mencionados estão a reutilização de luvas, problemas relacionados à higienização e o descumprimento de protocolos de biossegurança. Conforme a acusação, essas condutas poderiam ter contribuído para a chamada contaminação cruzada, situação em que microrganismos podem ser transferidos de um ambiente, superfície ou paciente para outro. A apuração busca estabelecer de que maneira essas falhas teriam ocorrido e qual seria a responsabilidade da profissional que ocupava a direção técnica da UTI pediátrica no período analisado.
A presença de bactérias multirresistentes em ambientes hospitalares exige atenção especial porque esses microrganismos podem apresentar resistência a diferentes tipos de medicamentos utilizados no tratamento de infecções. Em unidades destinadas ao atendimento de crianças em estado delicado, medidas de higiene, controle de circulação e cumprimento dos protocolos de segurança têm papel importante na prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde. No processo, a acusação sustenta que determinadas práticas adotadas no setor não teriam seguido os procedimentos esperados. A partir de agora, caberá à Justiça analisar as provas apresentadas e ouvir as partes envolvidas antes de qualquer conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal.
Além da denúncia, o Ministério Público solicitou que seja estabelecido um valor mínimo de R$ 50 mil em indenização para cada família das crianças que morreram. O pedido será analisado dentro do processo e não representa, por si só, uma decisão definitiva sobre o pagamento. A investigação também não está necessariamente encerrada em relação a todos os profissionais que trabalhavam na unidade. Conforme informado, a possibilidade de responsabilização de outras pessoas que atuavam no setor não foi descartada, caso novas informações ou elementos obtidos durante a apuração indiquem eventual participação ou falha relacionada aos fatos investigados.
O Hospital Angelina Caron informou que irá se manifestar dentro dos prazos previstos pela legislação. A instituição, porém, não esclareceu se a médica denunciada continua exercendo atividades na unidade. Enquanto o processo avança, as famílias das crianças envolvidas acompanham os desdobramentos e aguardam respostas sobre o que aconteceu durante o período em que os casos foram registrados. A definição sobre eventuais responsabilidades dependerá da análise judicial das provas, dos depoimentos e dos demais elementos reunidos ao longo da ação. Por isso, neste momento, a denúncia deve ser entendida como uma acusação que ainda será submetida ao devido processo legal.
O caso chama atenção para a importância dos protocolos de segurança em ambientes hospitalares e também para a necessidade de transparência quando ocorrências envolvendo pacientes pediátricos chegam às autoridades. A investigação conduzida pelo Ministério Público busca esclarecer responsabilidades e avaliar se procedimentos poderiam ter sido adotados de maneira diferente para evitar a disseminação das bactérias. Com a aceitação da denúncia pela Justiça, começa uma nova fase, na qual a defesa da médica terá oportunidade de apresentar seus argumentos e contestar as acusações. Até o encerramento do processo, permanece a presunção de inocência, e qualquer responsabilização dependerá de uma decisão judicial fundamentada nas provas produzidas.



