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Homem que admitiu matar enteada foi casado com a mãe dela por 13 anos e estava separado há um mês

A adolescente Alice Nitz, de 14 anos, foi encontrada morta na tarde de segunda-feira, 17 de agosto de 2026, em Encantado, no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul. O crime chocou a comunidade local e mobilizou rapidamente as autoridades policiais. O principal suspeito, identificado como Wagno Arezi Henika, ex-padrasto da jovem, foi preso preventivamente na noite seguinte, na mesma residência onde o corpo da adolescente foi localizado.

Segundo a Polícia Civil, o homem manteve relacionamento com a mãe de Alice por cerca de 13 anos. O casal havia se separado há aproximadamente um mês. Apesar da separação recente, as investigações preliminares indicavam que o convívio entre o suspeito, a ex-companheira e a adolescente se mantinha de forma pacífica, sem registros anteriores de violência ou medidas protetivas. O corpo de Alice foi encontrado pelo irmão do investigado, que dividia a casa com ele no bairro Jardim do Trabalhador.

Wagno Arezi Henika confessou a autoria do crime durante depoimento prestado às autoridades. A Polícia Civil tipificou o caso como feminicídio e descartou a hipótese inicial de vicaricídio, crime caracterizado pelo assassinato de pessoas próximas com o objetivo de causar sofrimento à mulher. De acordo com a delegada responsável, os depoimentos de familiares e do próprio suspeito apontaram que não havia conflito aberto entre ele e a ex-companheira, o que afastou a motivação de vingança indireta.

O crime gerou forte comoção em Encantado. Alice era conhecida na comunidade escolar e esportiva. Estudante da Escola Jardim do Trabalhador, ela participava do grupo de dança tradicionalista Oigalê e jogava futsal pelo Fênix FC Futsal Feminino. Colegas e professores a descreviam como uma jovem inteligente, talentosa, sorridente e apaixonada pela cultura gaúcha. Sua morte deixou um vazio profundo entre familiares, amigos e moradores da cidade.

O velório da adolescente reuniu grande número de pessoas no cemitério comunitário do bairro. Familiares e amigos destacaram a personalidade alegre e o potencial da jovem, que cultivava interesses por esportes, poesia e tradições locais. A comunidade escolar e o clube de futsal emitiram notas de pesar, reforçando o sentimento de perda coletiva.

A prisão do suspeito ocorreu na noite de terça-feira, 18 de agosto, quando ele retornou à residência após permanecer foragido por algumas horas. A Brigada Militar localizou o homem no imóvel e o conduziu à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de Lajeado. Ele permanece preso preventivamente enquanto as investigações avançam.

As autoridades continuam ouvindo testemunhas e analisando elementos do caso para esclarecer completamente as circunstâncias e a motivação do crime. Embora o suspeito tenha afirmado ter agido impulsivamente após uma discussão, a Polícia Civil busca consolidar todas as provas para o encaminhamento ao Ministério Público.

Casos como o de Alice Nitz evidenciam a gravidade da violência contra meninas e mulheres no Brasil. O feminicídio continua sendo uma realidade preocupante, mesmo em cidades de pequeno e médio porte. A tipificação correta do crime e a agilidade das autoridades são fundamentais para garantir que a Justiça seja feita e para enviar uma mensagem clara de que esse tipo de violência não será tolerado.

A família de Alice enfrenta um momento de dor intensa. Amigos e moradores de Encantado prestam solidariedade e reforçam a importância de cuidar das relações familiares e de buscar ajuda em situações de conflito. A perda de uma jovem de apenas 14 anos, com tantos projetos e talento, marca profundamente a cidade e serve de alerta para toda a sociedade.

As investigações seguem em andamento. A Polícia Civil trabalha para reunir o máximo de informações possíveis, garantindo que o processo seja conduzido com rigor técnico e respeito à memória da vítima. A comunidade de Encantado e do Rio Grande do Sul acompanha o desenrolar do caso com expectativa de que a Justiça preste as respostas necessárias.

A morte de Alice Nitz não apaga a lembrança de uma adolescente cheia de vida, que deixou marcas positivas entre colegas, professores e familiares. Seu nome permanece associado à alegria, ao esporte e à cultura tradicional, valores que a cidade espera preservar em sua memória.

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