Morre aos 71 anos Carlos Adão, nome marcante da arte urbana paulista

Carlos Adão, artista visual conhecido por espalhar seu próprio nome pelos muros da Grande São Paulo, morreu neste sábado (8), aos 71 anos, em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo. A informação foi divulgada pela Secretaria da Saúde do município. Segundo o órgão, o artista sofreu um infarto, foi levado para uma unidade de pronto atendimento, mas não resistiu.
Nascido em 1954 e criado no Butantã, na zona oeste da capital paulista, Carlos Adão teve uma trajetória marcada por diferentes atividades. Formado em economia, atuou como empresário e também ingressou na política, disputando eleições para os cargos de deputado estadual e deputado federal. Apesar das candidaturas, não chegou a ser eleito.
Foi, porém, no universo das artes urbanas que seu nome ganhou maior projeção. Ao longo de décadas, Carlos Adão passou a utilizar os muros e espaços urbanos da região metropolitana de São Paulo como suporte para suas intervenções artísticas. A repetição da assinatura fez com que seu nome se tornasse facilmente reconhecido por quem circulava pelas ruas da Grande São Paulo.
A marca utilizada pelo artista tinha uma característica bastante particular. Carlos Adão costumava grafitar o próprio nome na cor verde, geralmente sobre um fundo preto, e em algumas ocasiões acrescentava diferentes mensagens às intervenções. A estratégia fez com que a assinatura deixasse de ser apenas uma identificação e passasse a funcionar como uma espécie de marca artística.
Em entrevista concedida ao Portal O Taboanense em 2023, Carlos Adão afirmou que já havia reproduzido seu nome mais de 150 mil vezes. A quantidade ajuda a dimensionar a extensão do trabalho realizado ao longo dos anos e a presença que sua arte alcançou em diferentes pontos da região metropolitana.
A relação do artista com as ruas não se limitava à pintura. Sua trajetória despertou interesse justamente pela maneira como ele construiu uma identidade própria a partir da repetição de sua assinatura. O personagem criado por Carlos Adão transitava entre a arte, a vida pública, a fama e o anonimato, despertando curiosidade entre moradores e pessoas que acompanhavam o movimento da arte urbana em São Paulo.
Essa história foi registrada no documentário “Os 3 Atos de Adão”, lançado em 2018. Dirigido por Diego Navarro e Francisco Franco, o filme investigou as motivações por trás das intervenções realizadas pelo artista e buscou compreender a construção da figura de Carlos Adão ao longo de sua trajetória.
O documentário também abordou os diferentes aspectos da vida do artista, incluindo sua passagem pela política e a relação entre sua identidade pessoal e a assinatura que se tornou conhecida nos espaços urbanos. Dessa forma, a produção ajudou a registrar parte da história de um personagem singular da arte de rua paulista.
A morte de Carlos Adão encerra uma trajetória de décadas dedicada à construção de uma identidade artística reconhecida principalmente pela presença constante de seu nome nas ruas. Para além da quantidade de vezes em que a assinatura foi reproduzida, sua obra ficou marcada pela maneira incomum de transformar o próprio nome em elemento central de uma manifestação artística.
Carlos Adão deixa como legado uma trajetória que cruzou diferentes áreas, passando pela economia, pelo empreendedorismo, pela política e, principalmente, pelas artes visuais. Sua assinatura, presente durante anos em muros da Grande São Paulo, tornou-se a principal representação de seu trabalho e ajudou a consolidar seu nome entre os artistas urbanos que marcaram a paisagem da região.
A informação sobre velório e sepultamento não foi divulgada nas informações disponíveis até o momento.


