Mecânico falece após acidente com linha de pipa no interior de São Paulo

Um acidente registrado na tarde de quinta-feira (30) voltou a chamar a atenção para os riscos do uso de linhas de pipa com cerol nas ruas e rodovias. Um mecânico de 33 anos perdeu a vida enquanto retornava do trabalho de motocicleta pela Rodovia Comendador Pedro Monteleone (SP-351), em Catanduva, no interior de São Paulo. O caso causou grande comoção entre familiares, amigos e moradores da cidade, além de reacender o debate sobre a necessidade de conscientização e fiscalização para evitar novas ocorrências envolvendo esse tipo de material, cuja utilização é proibida no estado.
De acordo com as informações registradas pelas autoridades, André Luis Barbosa Leite seguia em direção à cidade quando foi atingido por uma linha de pipa com cerol. O impacto provocou um ferimento de extrema gravidade, e, apesar da rápida mobilização das equipes responsáveis pelo atendimento da ocorrência, ele não resistiu e morreu ainda no local. A Polícia foi acionada para atender o caso, mas, durante o trabalho de apuração, não localizou pessoas que estivessem empinando pipas nas proximidades nem encontrou a linha que teria provocado o acidente.
A morte do motociclista gerou forte repercussão em Catanduva, onde André era conhecido por atuar como mecânico de motos. Casado e pai de um menino, ele havia encerrado mais um dia de trabalho quando aconteceu o acidente. O velório foi realizado no Velório Municipal Padre Amorim, enquanto o sepultamento foi programado para o Cemitério Nossa Senhora de Fátima, ambos no município. Nas redes sociais, amigos e familiares publicaram mensagens de despedida e homenagens, destacando a dedicação de André à família, ao trabalho e aos amigos.
O episódio também reforça um alerta que se repete todos os anos durante os períodos de maior prática de empinar pipas. O cerol é produzido por meio da mistura de cola com partículas de vidro moído, aplicada à linha para aumentar sua capacidade de cortar outras linhas durante disputas entre pipas. No entanto, quando utilizado em áreas urbanas ou próximas a vias de circulação, esse material representa um risco significativo para motociclistas, ciclistas, pedestres e até animais, podendo provocar acidentes de grandes proporções.
Em São Paulo, o uso, a fabricação, a comercialização e até a posse de linhas com cerol ou linha chilena são proibidos desde 2019. A legislação estadual foi criada justamente para reduzir a ocorrência de acidentes e ampliar a segurança da população. Além das campanhas educativas realizadas por órgãos públicos, as autoridades reforçam que denúncias sobre a utilização desse tipo de material podem contribuir para a prevenção de novos casos e para o cumprimento da lei, especialmente em períodos de férias escolares, quando a prática costuma aumentar.
Enquanto a investigação busca esclarecer as circunstâncias do acidente registrado em Catanduva, a morte de André Luis Barbosa Leite serve como um novo alerta sobre os perigos associados ao uso de linhas cortantes. O caso reforça a importância da conscientização coletiva, do respeito à legislação e da adoção de práticas seguras durante a brincadeira com pipas. Para familiares, amigos e toda a comunidade, permanece a lembrança de um trabalhador que voltava para casa após mais um dia de expediente, em uma ocorrência que sensibilizou a população e renovou a discussão sobre medidas capazes de preservar vidas.



