Ecstasy, cabo de madeira e roupas lavadas entram na investigação da morte de capitã

A Polícia Civil de Minas Gerais investiga as circunstâncias da morte da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, encontrada sem vida na noite de segunda-feira (21), em Belo Horizonte. O principal suspeito é o marido da oficial, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, que foi preso em flagrante e é investigado por suspeita de feminicídio. O caso mobilizou autoridades e ganhou novos desdobramentos após a perícia identificar elementos considerados relevantes para a investigação.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, o sargento levou a capitã já sem sinais vitais ao Hospital Odilon Behrens por volta das 21h35. A equipe médica constatou que a vítima apresentava diversas lesões pelo corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nas pernas, marcas lineares e um corte profundo na região da testa. A avaliação inicial apontou que a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital, informação que passou a integrar a linha investigativa.
Ainda na unidade de saúde, policiais militares perceberam uma atitude considerada suspeita do investigado. Enquanto aguardava atendimento, ele solicitou autorização para ir ao banheiro e foi visto descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira. No recipiente, os agentes localizaram comprimidos com características semelhantes às do ecstasy. O material foi recolhido e encaminhado para exames periciais, que deverão confirmar a substância encontrada. A apreensão passou a ser tratada como mais um elemento a ser analisado durante a investigação.
A perícia também realizou buscas no apartamento onde o casal morava. No local, foram encontradas roupas de cama limpas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar, situação que chamou a atenção dos investigadores. Além disso, próximo à saída de emergência do edifício, foi localizado um cabo de madeira quebrado, recolhido para perícia por haver a possibilidade de ter sido utilizado durante as agressões. Os laudos técnicos deverão indicar se o objeto possui relação direta com os ferimentos apresentados pela vítima.
Em depoimento, o sargento apresentou sua versão dos acontecimentos. Segundo ele, o casal teria realizado uma confraternização na noite anterior, ocasião em que amigos estiveram na residência e houve consumo de bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. Após a saída dos convidados, conforme relatou, os dois mantiveram relações sexuais consensuais envolvendo práticas de dominação física. O militar afirmou que, já no início da tarde, Michele teria caído de uma escada dentro da residência, sofrendo um corte na cabeça e outros ferimentos.
Ainda segundo o depoimento, ele afirmou ter prestado os primeiros socorros, limpado os ferimentos, dado banho na esposa e colocado a capitã para descansar. O sargento disse que sugeriu levá-la ao hospital, mas ela teria recusado atendimento por receio de que fosse descoberto o uso de drogas. De acordo com sua versão, ambos dormiram durante a tarde e, ao acordar, por volta das 21h, percebeu que Michele não respondia aos estímulos. Em seguida, decidiu transportá-la até o hospital.
As imagens das câmeras de segurança do condomínio registraram o momento em que o investigado carregou o corpo da capitã nos ombros até a garagem, colocando-a dentro do veículo antes de seguir para a unidade hospitalar. As gravações foram incorporadas ao inquérito e serão analisadas em conjunto com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.
Outro ponto considerado importante pelos investigadores é o histórico do sargento. Conforme registros policiais, ele já respondeu anteriormente a ocorrências envolvendo violência doméstica. Em 2016, uma ex-companheira registrou boletins de ocorrência relatando agressões físicas e, meses depois, denunciou o descumprimento de uma medida protetiva. Além disso, Eduardo Abner chegou a ser desligado da Polícia Militar de Minas Gerais após omitir informações durante o processo de ingresso na corporação, mas retornou ao cargo posteriormente por decisão da Justiça.
Em nota, a defesa do militar informou que acompanha o andamento das investigações e afirmou que aguarda a conclusão dos laudos periciais antes de qualquer conclusão sobre o caso. Os advogados destacaram confiança no devido processo legal e na apuração imparcial dos fatos, ressaltando que somente após o encerramento das perícias será possível esclarecer as circunstâncias da morte da capitã Michele Leão Azevedo. Enquanto isso, a Polícia Civil segue realizando diligências para determinar a dinâmica do ocorrido e confirmar a causa da morte.



