Flávio Bolsonaro recusa escolta da PF e decisão levanta dúvidas nos bastidores

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, decidiu não utilizar a escolta oferecida pela Polícia Federal durante o período de campanha eleitoral, optando por manter sua segurança pessoal sob responsabilidade de uma equipe vinculada ao Partido Liberal (PL) e pela proteção institucional da Polícia Legislativa do Senado, estrutura que o acompanha desde 2019. A decisão, revelada inicialmente por reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, passou a repercutir entre aliados e adversários políticos, sobretudo pelo contexto de forte polarização esperado para o próximo pleito.
Segundo informações divulgadas na reportagem, a escolha do senador teria sido motivada por uma percepção de desconfiança em relação à atuação da Polícia Federal durante o processo eleitoral. Pessoas próximas ao pré-candidato afirmam que há o entendimento, dentro de seu entorno político, de que o órgão poderia sofrer influência do atual governo federal, comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa avaliação, embora não confirmada oficialmente pelo senador em detalhes públicos, teria pesado na decisão de rejeitar o esquema de segurança proposto pela instituição.
Outro ponto que teria influenciado a estratégia de Flávio Bolsonaro envolve preocupações com a preservação de informações sensíveis da campanha. Integrantes de sua equipe relatam receio de possíveis vazamentos de agendas, reuniões internas e conversas consideradas estratégicas para a disputa presidencial. Em um cenário político já marcado por forte divisão entre grupos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao Partido dos Trabalhadores, qualquer exposição antecipada de movimentações eleitorais é vista como um risco adicional para o planejamento da campanha.
A decisão ganhou ainda mais repercussão após desdobramentos ligados ao chamado caso Master, investigação que trouxe à tona mensagens atribuídas ao senador em que ele teria solicitado apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para projetos específicos, incluindo o financiamento de um filme. Embora o conteúdo das mensagens seja tratado como parte de um inquérito em andamento, aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que possíveis vazamentos desse tipo de informação podem ter impacto direto na narrativa eleitoral e reforçam a cautela em relação ao compartilhamento de dados estratégicos.
Dentro desse contexto, a equipe do pré-candidato passou a considerar que informações sensíveis poderiam estar sendo expostas de maneira indevida, o que reforçou a opção por manter um esquema de segurança já conhecido e controlado por sua própria estrutura política. A Polícia Legislativa do Senado, que atua na proteção de parlamentares, permanece como um dos pilares dessa estratégia, enquanto a equipe contratada pelo partido complementa o aparato de segurança durante compromissos públicos e deslocamentos de campanha.
A decisão de recusar a escolta federal, no entanto, abre espaço para debates sobre segurança institucional em períodos eleitorais e sobre a relação entre agentes públicos e estruturas de proteção do Estado. Em meio ao início da corrida presidencial, o caso adiciona mais um elemento de tensão ao ambiente político nacional, que já se mostra altamente polarizado e marcado por disputas narrativas intensas. A expectativa é de que o tema continue repercutindo nos próximos dias, especialmente à medida que a campanha avance e novos desdobramentos possam surgir.



