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‘Vou matar ele’, diz PM antes de atirar em homem que se rendia após briga de trânsito

A divulgação de imagens gravadas por câmeras corporais de policiais militares trouxe novos elementos para um caso ocorrido no fim de abril, na Zona Norte de São Paulo. O episódio, que resultou na morte de Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 45 anos, voltou ao centro das discussões após a revelação de trechos que mostram a atuação dos agentes durante a ocorrência.

As gravações, obtidas pela TV Globo e pelo g1, registram os momentos que antecederam a ação policial no Jardim Pirituba. Nas imagens, o cabo da Polícia Militar Cauan Alencar Bastos aparece dizendo que iria atirar em Igor poucos segundos antes dos disparos serem efetuados.

Segundo informações da ocorrência, Igor conduzia um veículo pela Avenida Raimundo Pereira de Magalhães quando parou em um semáforo. Na sequência, ele deixou o carro carregando uma faca e correu em direção a um motociclista que aguardava no local. Testemunhas relataram que a situação teria começado após um desentendimento no trânsito.

Familiares afirmam que Igor realizava tratamento para esquizofrenia e fazia uso de medicamentos controlados. Conhecido por atuar como eletricista, encanador e prestador de serviços de manutenção, ele era descrito por pessoas próximas como um trabalhador que enfrentava desafios relacionados à saúde mental.

Após buscar ajuda, o motociclista se dirigiu a um posto de combustíveis próximo, onde encontrou dois policiais militares que estavam em serviço. A partir daí, as câmeras corporais passaram a registrar toda a sequência dos acontecimentos.

As imagens mostram a viatura se aproximando de Igor. Em seguida, o cabo Cauan desce do veículo e faz a declaração registrada pelo equipamento. Pouco depois, os disparos são realizados. De acordo com os registros oficiais, foram efetuados seis tiros pelo cabo e um pelo outro policial que participava da ocorrência.

Outro vídeo, captado por uma câmera de segurança da região e divulgado anteriormente, tornou-se um dos principais pontos de discussão sobre o caso. As imagens sugerem que Igor estaria colocando a faca no chão no momento em que foi atingido. A família considera esse registro uma evidência de que ele tentava encerrar a situação sem confronto.

Depois dos disparos, equipes de apoio chegaram ao local e iniciaram procedimentos de socorro. As gravações também mostram momentos de tensão após a ação, enquanto os policiais aguardavam a chegada do resgate.

O boletim de ocorrência informa que Igor foi atingido por quatro disparos e não resistiu aos ferimentos. No entanto, a divulgação das imagens levantou questionamentos porque parte do conteúdo registrado parece divergir da versão apresentada inicialmente pelos agentes à autoridade policial.

Na delegacia, os policiais relataram que Igor teria avançado tanto contra o motociclista quanto contra a equipe policial portando a faca, justificando a intervenção realizada. Com a divulgação dos vídeos, os fatos passaram a ser analisados de forma mais detalhada pelas autoridades responsáveis.

Atualmente, o caso é investigado em duas frentes. A Polícia Militar instaurou um inquérito policial militar com acompanhamento da Corregedoria, enquanto o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) conduz uma investigação paralela.

Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública informou que a corporação não tolera desvios de conduta e destacou que todas as imagens captadas durante a ocorrência estão sendo examinadas para definição das medidas cabíveis.

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A repercussão do episódio reforça a importância das câmeras corporais como ferramenta de transparência e fiscalização. Ao mesmo tempo, o caso reacende discussões sobre protocolos de abordagem, treinamento policial e atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade psicológica, temas que seguem presentes no debate público brasileiro.

 

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