Morre advogada Ana Paula Rocha, de 45 anos

Governador Valadares (MG) – A advogada criminalista Ana Paula Rocha de Jesus, de 45 anos, foi assassinada a tiros pelo ex-marido, Lucas Gomes Pinto, de 59 anos, na tarde de 16 de junho de 2026. O crime ocorreu em um estacionamento no centro da cidade, região onde Ana Paula atuava profissionalmente há anos. Após disparar contra a vítima, o agressor cometeu suicídio no local, conforme confirmou a Polícia Civil, que investiga o caso como feminicídio seguido de suicídio.
Testemunhas relataram que o ataque foi repentino. Ana Paula foi atingida por múltiplos disparos enquanto se encontrava em seu veículo. O local, movimentado durante o horário comercial, gerou pânico entre pedestres e motoristas que presenciaram a cena. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, mas a advogada não resistiu aos ferimentos.
Ana Paula Rocha era conhecida na região do Vale do Rio Doce pela atuação firme na defesa dos direitos das mulheres. Criminalista atuante, participava regularmente de palestras, debates e iniciativas de conscientização sobre violência doméstica e feminicídio. Sua presença em fóruns e eventos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reforçava o compromisso com a proteção às vítimas de agressões.
O casal estava em processo de separação e havia histórico de violência doméstica registrado. Ana Paula possuía medida protetiva contra o ex-marido, que foi descumprida nos dias que antecederam o crime. No dia 14 de junho, ela registrou boletim de ocorrência relatando perseguição e abalo psicológico. Horas antes do feminicídio, o Ministério Público havia solicitado a prisão preventiva de Lucas Gomes Pinto.
A morte de Ana Paula provocou forte comoção entre colegas de profissão, magistrados e entidades de classe. A OAB seccional de Governador Valadares e a Comissão da Mulher Advogada emitiram notas de pesar, decretaram luto oficial e destacaram o legado da advogada na luta contra a violência de gênero. “Perdemos não apenas uma colega, mas uma voz ativa na defesa das mulheres”, afirmaram representantes da Ordem.
O caso reacende o debate sobre a efetividade das medidas protetivas e a agilidade do sistema de justiça em casos de ameaça grave. Apesar dos instrumentos legais existentes, como a Lei Maria da Penha, episódios de feminicídio continuam a ocorrer mesmo com denúncias prévias, revelando lacunas na rede de proteção às vítimas.
A tragédia em Governador Valadares serve como alerta para a sociedade mineira e brasileira. Enquanto as investigações prosseguem para esclarecer todos os detalhes, a memória de Ana Paula Rocha permanece como símbolo da resistência contra a violência machista e da importância da atuação incansável de profissionais que, como ela, dedicaram a carreira à defesa de direitos fundamentais.



