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Cenário da saúde pública: Família de profissional da psicologia denuncia demora na transferência para leito de UTI

A morte da psicóloga Rebeca Cardoso Tenente Molina, de 32 anos, em Minas Gerais, trouxe à tona uma discussão que tem mobilizado familiares, profissionais da saúde e autoridades sobre o acesso a leitos de terapia intensiva no sistema público. O caso ganhou repercussão após relatos de que a paciente aguardou cerca de cinco dias por uma vaga em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), período em que seu estado de saúde apresentou agravamento progressivo. A história comoveu moradores de diversas cidades mineiras e reacendeu debates sobre a eficiência dos mecanismos de regulação hospitalar utilizados atualmente no estado.

Segundo informações divulgadas pela família, Rebeca procurou atendimento médico no dia 2 de junho após apresentar sintomas relacionados a pedras na vesícula. Inicialmente, ela foi internada em São João Nepomuceno, município localizado na Zona da Mata mineira. O que parecia ser um quadro que exigia acompanhamento médico passou a demandar cuidados cada vez mais complexos. De acordo com relatos da irmã gêmea da psicóloga, a advogada Sâmela Cardoso Tenente Furtado, a evolução clínica foi rápida e preocupante, exigindo suporte intensivo e acompanhamento especializado.

Com a piora do quadro, familiares passaram a buscar alternativas para garantir uma transferência urgente para uma unidade com estrutura adequada ao tratamento necessário. A espera por uma vaga em terapia intensiva se tornou um dos principais desafios enfrentados pela família durante aqueles dias. Diante da ausência de leitos disponíveis na região, os parentes recorreram à Justiça na tentativa de acelerar o processo de regulação. A medida buscava assegurar que a paciente recebesse atendimento em uma unidade capaz de oferecer os recursos médicos exigidos pela gravidade da situação.

A vaga acabou sendo disponibilizada apenas no dia 6 de junho, quando foi autorizada a transferência aérea para a cidade de Oliveira, localizada no Centro-Oeste de Minas Gerais. A distância entre os dois municípios, superior a 300 quilômetros, chamou a atenção dos familiares, que passaram a questionar os critérios utilizados pelo sistema responsável pela distribuição dos leitos. Para eles, a localização da vaga e o tempo de espera levantam dúvidas sobre a eficiência do processo de priorização dos pacientes em estado mais delicado.

Outro ponto que ganhou destaque foi o funcionamento do novo sistema estadual de regulação hospitalar, denominado Central de Operações para Regulação Estadual (Core-MG). A plataforma entrou em operação recentemente com a proposta de modernizar e centralizar a gestão de vagas por meio de recursos tecnológicos e ferramentas de inteligência artificial. No entanto, familiares de Rebeca afirmam que a avaliação realizada pelo sistema não teria refletido adequadamente a gravidade do quadro clínico enfrentado pela psicóloga. Segundo os relatos, a pontuação atribuída à paciente teria ficado abaixo do que a equipe médica considerava necessário para garantir prioridade na fila de espera.

A situação levou familiares e moradores da região a cobrarem esclarecimentos sobre os critérios utilizados pela nova ferramenta. Enquanto representantes da gestão estadual defendem que o modelo trouxe avanços na organização do fluxo de atendimento, pessoas próximas à psicóloga acreditam que o caso merece uma análise detalhada para identificar possíveis falhas e promover melhorias. O episódio também ampliou o debate sobre a necessidade de constante avaliação dos sistemas tecnológicos aplicados à área da saúde, especialmente quando envolvem decisões relacionadas à prioridade de atendimento de pacientes em estado crítico.

Poucas horas após a transferência para a nova unidade hospitalar, Rebeca faleceu. A causa exata do óbito segue sendo investigada pelas autoridades competentes. O documento oficial aponta choque séptico como causa principal, mas profissionais envolvidos no atendimento também levantaram a possibilidade de outras condições clínicas, solicitando exames complementares para auxiliar na conclusão do diagnóstico. Enquanto aguardam respostas, familiares continuam buscando esclarecimentos sobre todo o processo vivido pela psicóloga. O caso permanece gerando repercussão em Minas Gerais e reforça a importância de discussões sobre acesso rápido a cuidados especializados, gestão de leitos e aprimoramento dos sistemas que auxiliam na tomada de decisões dentro da rede pública de saúde.

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