Funcionários presos após morte em salto teriam reagido dessa forma, diz defesa

A investigação sobre a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump no interior de São Paulo, ganhou novos desdobramentos após a prisão dos três instrutores envolvidos diretamente na atividade. Segundo o advogado que representa os detidos, eles permanecem profundamente abalados e ainda não conseguem explicar de forma clara como ocorreu a falha que resultou na tragédia. O caso aconteceu na conhecida Ponte do Esqueleto, localizada entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, e provocou grande repercussão em todo o país devido às circunstâncias do acidente.
De acordo com o defensor Rafael Gomes dos Santos, os três homens afirmam estar em estado de choque desde o ocorrido. Em entrevista exibida pela televisão, ele relatou que os clientes atuavam havia anos na prática de esportes radicais e nunca haviam enfrentado uma situação semelhante. A defesa sustenta que os instrutores estão emocionalmente abalados e que ainda tentam compreender como um procedimento que era realizado com frequência terminou em uma fatalidade. A prisão em flagrante dos envolvidos foi convertida em preventiva, e eles permanecem à disposição da Justiça enquanto as investigações avançam.
Os três presos foram identificados como Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra. Eles respondem por homicídio com dolo eventual, entendimento adotado pela Polícia Civil quando há a avaliação de que os responsáveis assumiram o risco de provocar o resultado fatal, mesmo sem intenção direta de matar. Durante os depoimentos prestados às autoridades, os investigados não conseguiram apontar com precisão qual foi a falha que permitiu que Maria Eduarda fosse lançada sem estar conectada às cordas de segurança. Segundo a delegada responsável pelo atendimento inicial do caso, as versões apresentadas demonstraram confusão e falta de clareza sobre as responsabilidades exercidas naquele momento.
Os depoimentos revelaram ainda que não existia uma divisão rígida de funções entre os integrantes da equipe. Um dos investigados afirmou que a colocação e a conferência das cordas eram tarefas compartilhadas, realizadas de maneira alternada pelos participantes da operação. Segundo ele, em algumas ocasiões uma pessoa fazia a instalação dos equipamentos enquanto outra verificava se tudo estava correto. Questionado sobre qual seria sua atribuição específica no salto de Maria Eduarda, o instrutor declarou não se lembrar. Outro preso também confirmou participar das checagens de segurança, mas disse não recordar se realizou a conferência antes da atividade que terminou em tragédia.
A morte ocorreu durante uma modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que a pessoa é carregada horizontalmente pelos instrutores e lançada da plataforma. Imagens registradas por testemunhas mostram o momento em que a jovem é erguida e arremessada da ponte. Logo após o salto, pessoas presentes perceberam a ausência das cordas de segurança e começaram a gritar em desespero. O vídeo rapidamente circulou nas redes sociais e passou a ser uma das principais peças analisadas pela investigação. Conforme o boletim de ocorrência, não havia qualquer sistema de retenção conectado à vítima no momento da queda.
A chegada das equipes de resgate mobilizou policiais militares, bombeiros e profissionais de saúde. Quando os agentes alcançaram o local, uma enfermeira tentava reanimar Maria Eduarda. O boletim também relata que dois funcionários ligados à atividade chegaram a fornecer documentos aos policiais, mas posteriormente se afastaram para uma área de vegetação. Seis pessoas foram conduzidas à delegacia para prestar esclarecimentos, embora apenas três tenham permanecido presas. A polícia também registrou que dois dos detidos haviam trocado de roupa antes da abordagem, fato que passou a integrar a investigação.
Enquanto a apuração continua, o caso reacende discussões sobre segurança em esportes de aventura e sobre a necessidade de protocolos rigorosos de verificação antes da realização de atividades de alto risco. As empresas citadas nas gravações, identificadas pelos nomes “Entre Cordas” e “Ih Voei”, ainda não haviam se pronunciado oficialmente até o momento da divulgação das informações. A Justiça agora analisará os elementos reunidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público para definir os próximos passos do processo. A morte de Maria Eduarda, que tinha apenas 21 anos, causou grande comoção e levantou questionamentos sobre falhas operacionais que poderiam ter sido evitadas com procedimentos mais rígidos de conferência e segurança.



