Mãe de jovem que faleceu aguardando atendimento em UPA conta tudo

A dor da perda ainda acompanha cada dia da família de Gabriella Vieira Alexandre, jovem de 23 anos que morreu após enfrentar fortes dores de cabeça por semanas sem receber um diagnóstico conclusivo. Quase um mês após a morte da filha, a mãe, Carla Suelen Vieira Reginaldo, continua buscando respostas para um caso que transformou completamente a rotina da família. Entre lembranças emocionadas e questionamentos sobre o atendimento recebido pela jovem, parentes e amigos mantêm vivo o pedido por esclarecimentos e justiça.
Descrita pela mãe como uma pessoa generosa, carinhosa e sempre disposta a ajudar, Gabriella deixou uma marca profunda na vida de todos ao seu redor. “Ela era realmente um anjo na Terra”, resume Carla ao falar da filha, que também era considerada uma referência dentro da própria família. Casada, dedicada aos irmãos e muito próxima da mãe, a jovem costumava incentivar aqueles que amava e era conhecida pelo sorriso constante e pela disposição em apoiar quem precisava de ajuda. Segundo Carla, a filha era sua melhor amiga e uma das maiores incentivadoras de seus projetos pessoais.
Nos meses que antecederam sua morte, Gabriella passou a conviver com dores de cabeça frequentes e intensas. Preocupada com os sintomas, ela procurou atendimento médico em diferentes ocasiões na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Campo Grande. De acordo com o relato da família, em todas as consultas ela recebeu medicação para alívio dos sintomas e foi liberada para retornar para casa. A última visita à unidade ocorreu em 8 de maio. Na ocasião, segundo os familiares, não foram solicitados exames que pudessem aprofundar a investigação do quadro clínico apresentado pela jovem.
A mãe relembra que chegou a conversar com Gabriella poucos dias antes da morte e demonstrou preocupação com a persistência das dores. Em um encontro familiar, Carla insistiu para que a filha procurasse realizar exames mais detalhados, acreditando que a intensidade dos sintomas merecia atenção especial. Gabriella, no entanto, costumava evitar preocupar os familiares e mantinha uma postura tranquila diante da situação. Ela afirmou que buscaria atendimento e faria os exames necessários, mas não houve tempo para que isso acontecesse.
Após a confirmação de que a causa da morte foi um aneurisma cerebral, a família passou a questionar se o problema poderia ter sido identificado anteriormente por meio de exames específicos. Os parentes consideram que o histórico de sintomas apresentados pela jovem justificava uma investigação mais aprofundada e defendem que o caso seja analisado pelas autoridades competentes. O objetivo, segundo eles, é entender todos os procedimentos realizados durante os atendimentos e esclarecer se houve falhas na condução do caso.
Enquanto tentam lidar com a ausência repentina de Gabriella, familiares e amigos organizam uma manifestação pública para pedir respostas e chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce em situações semelhantes. O ato está previsto para acontecer no centro de Campo Grande e deverá reunir pessoas que acompanharam a trajetória da jovem. Em meio ao luto, a família afirma que a busca por justiça também representa uma forma de honrar a memória de uma jovem lembrada pelo carinho, pela dedicação à família e pela capacidade de transformar positivamente a vida das pessoas ao seu redor.



