Mulher de 32 anos perde a vida na UPA minutos após denunciar falta de médicos

A morte de Brenda Larissa Maia, de 32 anos, gerou grande repercussão em Minas Gerais e levantou questionamentos sobre o atendimento prestado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A paciente morreu durante a madrugada após procurar a unidade com fortes dores no peito e relatar dificuldades para receber assistência médica. Antes de falecer, Brenda gravou vídeos dentro da UPA denunciando a ausência de profissionais nos consultórios e a demora no atendimento. As imagens rapidamente se espalharam pelas redes sociais e provocaram forte comoção. Além dos vídeos, mensagens enviadas à mãe revelam a gravidade de seu estado de saúde e mostram que ela acreditava estar diante de uma situação crítica, chegando a fazer pedidos que familiares interpretaram como uma despedida.
Segundo relatos da família, Brenda deu entrada na unidade de saúde na tarde de sábado, por volta das 14h30. Ela possuía histórico de fibromialgia e cardiopatia, fatores que exigiam atenção especial diante das queixas apresentadas. Durante a permanência na unidade, a paciente recebeu oxigenoterapia, procedimento utilizado para auxiliar pessoas com dificuldades respiratórias. No entanto, ao longo das horas, seu quadro teria se agravado. Em mensagens encaminhadas à mãe, Brenda informou que sua saturação de oxigênio estava piorando e que também sentia alterações relacionadas ao coração. Em um dos trechos mais emocionantes da conversa, ela pediu que a família não autorizasse ventilação mecânica caso os médicos solicitassem consentimento. A mensagem, carregada de sofrimento e exaustão, foi interpretada pelos parentes como um sinal de que ela já não suportava mais a situação que enfrentava.
O irmão da vítima, Hudson Lucas Maia, relatou que Brenda chegou a agradecer à mãe por tudo o que havia feito por ela ao longo da vida. Para a família, as palavras tinham tom de despedida e demonstravam que a paciente estava consciente da gravidade de sua condição. Conforme o boletim de ocorrência registrado pela mãe, Sônia de Oliveira da Silva, Brenda informou aos familiares ainda durante a noite que seu estado clínico havia piorado significativamente. Horas depois, por volta de 1h30 da madrugada, ela decidiu gravar vídeos mostrando o que considerava uma situação de abandono dentro da unidade. Nas gravações, a paciente percorre corredores e exibe consultórios vazios, afirmando que não conseguia localizar médicos para prestar atendimento. O conteúdo das imagens gerou indignação e ampliou a pressão por esclarecimentos sobre o ocorrido.
De acordo com Hudson, testemunhas relataram que, após gravar os vídeos, Brenda passou mal e caiu no chão. Ainda segundo essas informações, ela teria apresentado convulsões antes de receber atendimento emergencial. O irmão afirma que a família não recebeu imediatamente todos os detalhes sobre o que ocorreu naquele momento. Conforme os relatos, um médico que transitava pela unidade percebeu a situação e acionou outros profissionais para prestar socorro. Apesar das tentativas de atendimento, Brenda não resistiu e morreu por volta de 1h38. O falecimento provocou revolta entre familiares, que passaram a questionar se houve negligência médica ou falhas na assistência prestada durante as horas em que ela permaneceu internada. O caso ganhou ainda mais repercussão diante dos vídeos divulgados pela própria paciente pouco antes da morte.
Outro ponto que aumentou a angústia da família foi a falta de informações consideradas claras sobre a causa do óbito. Segundo a mãe de Brenda, um médico chegou a apresentar inicialmente um documento apontando embolia pulmonar como possível causa da morte. Entretanto, após os familiares mostrarem os vídeos gravados pela paciente, a explicação teria sido modificada, sem detalhamento suficiente sobre os motivos da alteração. Diante das dúvidas, a família decidiu solicitar a atuação do Instituto Médico Legal para a realização de exames que possam esclarecer as circunstâncias da morte. O corpo de Brenda foi submetido à perícia, e os laudos deverão apontar com maior precisão quais fatores contribuíram para o falecimento. Enquanto isso, parentes seguem cobrando respostas e responsabilização caso sejam identificadas irregularidades.
A Prefeitura de Ribeirão das Neves informou, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, que lamenta profundamente o ocorrido e determinou a apuração rigorosa dos fatos. Segundo o município, todas as informações relacionadas ao atendimento serão analisadas para esclarecer o caso e verificar se houve falhas nos procedimentos adotados pela unidade. A Polícia Civil também confirmou a abertura de investigação e informou que aguarda os resultados dos exames periciais para avançar na apuração. O caso de Brenda Larissa Maia reacendeu o debate sobre a estrutura das unidades de pronto atendimento, a disponibilidade de profissionais de saúde e a qualidade da assistência oferecida à população. Enquanto as investigações prosseguem, familiares, amigos e moradores da região aguardam respostas que possam esclarecer o que realmente aconteceu nas horas que antecederam a morte da paciente.



