Perícia traz nova informação sobre morte de soldado

A investigação sobre a morte do soldado da Polícia Militar Matheus Almeida Rodrigues ganhou um novo capítulo após laudos da Polícia Científica apontarem que o projétil retirado da cabeça do policial é compatível com munição calibre .40 S&W, utilizada pelas armas da própria PM paulista. O caso aconteceu em abril deste ano, durante uma ocorrência em Sorocaba, no interior de São Paulo, e reforçou a suspeita de que o militar possa ter sido vítima de fogo amigo durante uma ação policial que terminou com três suspeitos mortos e um preso.
Segundo as investigações, o soldado Matheus foi atingido na cabeça durante uma abordagem realizada por equipes da Polícia Militar a um veículo utilizado por criminosos suspeitos de assaltar uma farmácia no bairro Parque Campolim. O confronto ocorreu na madrugada de 11 de abril, após perseguição policial iniciada logo depois do roubo. Desde o início da apuração, havia dúvidas sobre a origem do disparo que matou o agente.
Os novos laudos periciais passaram a ser considerados peças centrais para o avanço das investigações. De acordo com o exame necroscópico, o projétil foi encontrado na região temporal esquerda do cérebro do policial. O documento também concluiu que o disparo entrou pela lateral direita da cabeça e causou traumatismo cranioencefálico fatal. A perícia afirmou ainda que, apesar das deformações provocadas pelo impacto, as características da munição são compatíveis com projéteis calibre .40 S&W, armamento padrão das pistolas utilizadas pelos policiais militares envolvidos na ocorrência.
A informação ganhou relevância porque, conforme consta nos autos do processo, os suspeitos mortos durante o confronto portavam revólveres calibre 38 e um simulacro de pistola. Já os agentes da PM utilizavam pistolas Glock calibre .40. Embora o laudo não identifique qual arma específica efetuou o disparo fatal, o resultado fortalece a linha investigativa de que o tiro pode ter partido de um colega de farda durante a troca de tiros.
A hipótese de fogo amigo já vinha sendo analisada pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM desde os primeiros dias após a ocorrência. Investigadores apuram inclusive se o disparo teria acontecido durante uma tentativa irregular de manipular a cena do confronto. Nos bastidores da investigação, surgiu a suspeita de que um policial teria tentado “fazer a mão”, expressão usada para descrever a prática de inserir ou disparar armas atribuídas a suspeitos mortos, simulando uma reação armada para justificar a ação policial.
Outro fator que dificulta o esclarecimento completo do caso é a ausência de câmeras corporais entre os policiais envolvidos na operação. Em depoimentos prestados à investigação, os próprios PMs confirmaram que nenhum deles utilizava o equipamento no momento da abordagem. Sem imagens diretas da ocorrência, a Polícia Civil passou a analisar gravações de câmeras de segurança da região para tentar reconstruir a dinâmica exata do confronto e identificar a sequência dos disparos.
De acordo com a investigação, a ação policial começou após denúncias de que uma farmácia da região poderia ser alvo de criminosos. Quatro suspeitos teriam invadido uma unidade da Drogasil, rendido funcionários e roubado dinheiro e medicamentos de alto valor comercial. Na fuga, o grupo utilizou um Volkswagen Virtus com registro de roubo. O veículo foi interceptado pela Polícia Militar pouco depois do crime, dando início ao confronto armado. Três suspeitos morreram no local e um quarto integrante do grupo foi preso.
O único sobrevivente entre os suspeitos, identificado como Vitor dos Santos Alencar Conceição, acabou indiciado por roubo e posteriormente denunciado pela Justiça. Já o soldado Matheus Almeida Rodrigues foi socorrido pelos colegas e levado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos. A morte do policial causou forte repercussão dentro da corporação e levou ao afastamento dos agentes envolvidos na ocorrência enquanto as investigações prosseguem.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou anteriormente que não compactua com desvios de conduta e que qualquer irregularidade eventualmente comprovada será punida dentro da lei. A pasta também afirmou que acompanha o andamento das investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM.
Com os novos elementos técnicos apresentados pela perícia, a investigação entra agora em uma fase considerada decisiva. Os investigadores tentam esclarecer se o disparo fatal ocorreu em meio ao confronto com os suspeitos ou se foi resultado de uma ação equivocada entre os próprios policiais. O caso segue sob análise das autoridades e ainda pode gerar novos desdobramentos administrativos e criminais nos próximos meses.



