Notícias

STF Mantém Condenação de Médico por Morte de Namorada Grávida em Mato Grosso

Em uma decisão importante para a Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal confirmou a condenação do médico Fernando Veríssimo de Carvalho pelo crime que tirou a vida de sua namorada grávida, Beatriz Nuala Soares Milano. O caso, registrado em 2018 em Rondonópolis, Mato Grosso, ganhou repercussão nacional e agora chega a um desfecho no âmbito superior da Justiça. A determinação do ministro Alexandre de Moraes preserva o veredicto do Tribunal do Júri, reforçando o papel da sociedade na aplicação da lei.

Beatriz Milano tinha apenas 23 anos e vivia um dos momentos mais especiais de sua vida. Formada em veterinária, ela estava grávida de aproximadamente cinco meses e planejava o futuro ao lado do companheiro. Na manhã de 24 de novembro de 2018, seu corpo foi encontrado na residência onde morava com Fernando, no bairro Vila Aurora. A perícia confirmou que a morte foi causada por traumatismo craniano decorrente de um golpe na cabeça, gerando comoção profunda na cidade e em todo o estado.

Fernando Veríssimo de Carvalho, na época com 30 anos, tornou-se o principal investigado. Pouco depois do ocorrido, ele deixou Rondonópolis e foi encontrado quase um mês mais tarde na casa dos pais, em Ribeirão Preto, São Paulo. Após ser preso e retornado a Mato Grosso, o médico negou a autoria do crime durante todo o processo. No entanto, em 2021, o Tribunal do Júri o considerou culpado por homicídio qualificado, feminicídio e interrupção de gravidez sem consentimento da gestante. A sentença inicial ultrapassou 41 anos de prisão, sendo posteriormente ajustada para 24 anos e 4 meses em regime fechado.

A defesa apresentou diversos recursos ao longo dos anos, questionando a validade do julgamento popular e alegando possíveis irregularidades. Os pedidos chegaram ao Supremo Tribunal Federal, mas foram negados. A decisão do ministro Alexandre de Moraes mantém a condenação e reforça a soberania do Tribunal do Júri como instrumento essencial da democracia, onde cidadãos comuns têm voz ativa na busca por justiça.

O trágico episódio deixou um legado importante em Rondonópolis. Vereadores aprovaram a chamada “Lei Beatriz Milano”, que proíbe a contratação de condenados por feminicídio para cargos públicos no município. A medida simboliza um esforço concreto para transformar a dor em prevenção, homenageando a memória de Beatriz e contribuindo para a proteção de outras mulheres em situações de vulnerabilidade.

Especialistas observam que casos como este destacam a necessidade de maior atenção aos relacionamentos que apresentam sinais de conflito. Beatriz havia terminado o namoro antes de descobrir a gravidez, mas decidiu retomar o convívio. O Conselho Regional de Medicina cassou o registro profissional de Fernando, encerrando sua carreira na área da saúde. O episódio alimenta debates sobre apoio psicológico, redes de acolhimento e políticas públicas mais eficazes de proteção à mulher e à gestante.

Com a palavra final do Supremo Tribunal Federal, a família de Beatriz pode encontrar algum alívio ao ver o caso encerrado na esfera judicial. A história serve como um forte lembrete de que ninguém está acima da lei, independentemente de formação ou status social. Enquanto o país avança no enfrentamento à violência contra a mulher, a memória de Beatriz Milano continua inspirando mudanças positivas, respeito mútuo e a valorização da vida. 

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: