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Morre a médica Angelita Habr-Gama, aos 93 anos

A médica e pesquisadora Angelita Habr-Gama, uma das maiores referências mundiais em coloproctologia, faleceu neste sábado, 30 de maio, aos 93 anos. Ela estava internada desde o dia 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada pela instituição nem pela família. Com uma carreira que se estendeu por mais de seis décadas, Angelita deixou um legado que transformou o tratamento do câncer colorretal em âmbito global.

Especialista em cirurgia colorretal, a médica revolucionou o manejo de tumores de reto inferior ao desenvolver e popularizar a estratégia conhecida como “watch and wait” (observar e esperar). Essa abordagem permite que pacientes com resposta completa à quimiorradioterapia neoadjuvante evitem cirurgias radicais e mutiladoras, preservando a qualidade de vida sem comprometer o controle oncológico. Seu trabalho científico, iniciado ainda na década de 1970, influenciou protocolos adotados por centros de excelência em diversos países.

Nascida em Belém, no Pará, filha de imigrantes libaneses, Angelita Habr-Gama formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Desde o início de sua trajetória, destacou-se pela dedicação à pesquisa clínica e pela formação de novas gerações de cirurgiões. Sua ascensão ocorreu em uma época em que a presença feminina em especialidades cirúrgicas ainda era rara, tornando-a uma pioneira e referência de superação.

Ao longo da carreira, Angelita publicou centenas de artigos em periódicos internacionais de alto impacto e recebeu inúmeras homenagens de sociedades médicas no Brasil e no exterior. Sua contribuição científica ajudou a posicionar o país como polo de referência no tratamento do câncer de reto, atraindo pacientes e pesquisadores de várias partes do mundo para centros brasileiros.

O impacto de seu trabalho vai além dos números e publicações. Milhares de pacientes se beneficiaram diretamente da abordagem conservadora que ela defendeu com evidências robustas, evitando ostomias definitivas e suas consequências físicas e psicológicas. Sua visão inovadora desafiou dogmas cirúrgicos estabelecidos e estimulou o debate multidisciplinar no tratamento oncológico.

Colegas e ex-alunos destacam não apenas sua competência técnica, mas também sua rigorosidade científica, generosidade no ensino e liderança serena. Mesmo após se afastar progressivamente da atividade cirúrgica, Angelita continuou acompanhando o desenvolvimento da coloproctologia e inspirando pesquisadores mais jovens.

A morte de Angelita Habr-Gama representa a perda de uma das figuras mais importantes da medicina brasileira contemporânea. Seu legado, entretanto, permanece vivo nos protocolos clínicos atuais, nas pesquisas que inspira e na trajetória de profissionais que seguem seus passos. A contribuição da médica seguirá salvando vidas e melhorando o tratamento de pacientes com câncer colorretal por muitas gerações.

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