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Amizade até o último adeus? Homem morre ao tocar gaita no velório do amigo no RS

A comunidade de Pinheirinho, no interior de Ibirubá, viveu dias de forte comoção após uma despedida marcada por uma coincidência que emocionou moradores da região. Dois amigos inseparáveis, conhecidos há décadas pela paixão pela música e pela convivência simples no interior, partiram em menos de 24 horas de diferença.

João Sebastião Gularte Correa, de 76 anos, morreu na manhã da última quinta-feira enquanto prestava uma homenagem ao amigo Gentil Scapini, de 78 anos, durante o velório realizado na comunidade onde ambos viveram grande parte da vida. A cena tocou familiares, vizinhos e moradores da cidade, que acompanharam tudo com surpresa e tristeza.

Gentil havia falecido um dia antes, após enfrentar um câncer. Muito querido na região, era conhecido pela participação ativa na comunidade e pelo jeito alegre de lidar com as pessoas. Entre os amigos mais próximos estava João, companheiro de longa data, parceiro de conversas e de apresentações musicais em encontros familiares e celebrações locais.

Segundo familiares, a amizade entre os dois começou ainda na infância. Criados na mesma localidade rural, eles mantiveram o vínculo ao longo dos anos, compartilhando momentos simples que marcaram gerações. Um dos costumes mais conhecidos da dupla era tocar gaita juntos em festas, aniversários e reuniões comunitárias.

Durante o velório de Gentil, os parentes lembraram de um desejo especial feito por ele antes de partir: queria ouvir João tocando mais uma vez. O amigo atendeu ao pedido sem imaginar que aquele também seria seu último momento.

Na manhã da quinta-feira, enquanto acontecia o translado do corpo até a Capela do Pinheirinho, João tocava uma música em homenagem ao companheiro quando passou mal. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu no local, diante da comoção dos presentes.

O filho de João, Rafael Correa, contou que o pai não apresentava problemas de saúde e acredita que a emoção da despedida tenha sido determinante naquele instante.

“Eles viviam juntos desde pequenos no interior. Era uma amizade verdadeira, daquelas raras de ver hoje em dia”, relatou.

A história rapidamente repercutiu entre moradores da região e ganhou espaço nas redes sociais, especialmente por lembrar relações construídas em um tempo em que amizades atravessavam décadas sem perder a intensidade. Em tempos marcados pela correria e pela distância entre as pessoas, o episódio acabou emocionando muita gente justamente pela simplicidade e pela lealdade entre os dois amigos.

João também era bastante conhecido na comunidade por sua ligação com a música tradicional gaúcha. Irmão do músico Ernesto Nunes, ele participava de encontros culturais e era visto como uma figura querida entre vizinhos e amigos.

Familiares de Gentil também destacaram que uma das maiores alegrias dele era ouvir João tocar gaita. Por isso, a homenagem feita durante a despedida ganhou um significado ainda mais forte para todos que estavam presentes.

Os dois amigos foram sepultados no mesmo cemitério da comunidade de Pinheirinho, local onde construíram suas histórias, criaram suas famílias e cultivaram amizades ao longo da vida.

João deixa esposa, três filhos e três netos. Gentil deixa esposa, três filhos, sete netos e um bisneto. A despedida dos dois ficará marcada na memória da comunidade como um retrato sincero de amizade, companheirismo e afeto construídos ao longo de muitos anos.

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